O GRANDE INÍCIO – PARTE 01

O MONTE DO ÉDEN

A longa guerra entre Deus e os deuses menores que se rebelaram, começou num monte, e terminará num monte.

Antes de mais nada: os deuses rebeldes são reais. Isso não é algo que você vai ouvir uma igreja. Não penas nos ensinaram que as deidades pagãs do mundo antigo eram imaginárias, mas a maioria dos crentes hoje não acredita sequer em Satanás ou no Espírito Santo.

Isso não é um exagero. O Barna Group achou uma pesquisa de 2009 dentre os cristãos americanos que só um a cada três crentes acredita que Satanás é real e não apenas um conceito. Da mesma forma, aproximadamente 60% dos cristãos americanos disseram que eles não acreditam que o Espírito Santo seja uma entidade viva. Dessa forma, não é de se surpreender que quando pensamos em Baal, Asherah, Moloque, Dagon, Chemosh, Marduk e o resto do panteão pagão mencionado na Bíblia, tendemos a assumir que eles nada mais sejam do que blocos de madeira e pedra sem vida.

Não poderíamos estar mais errados.

A verdadeira história começou num monte: o Éden.

Mas espere aí. O Éden era um jardim! Sim, ele era. Um jardim num monte. Em Ezequiel 28, Deus fala para o rebelde divino no Éden:

Além disto, foste também ungido como querubim guardião; afinal, foi precisamente para essa função que Eu te designei. Estiveste também no Monte Sagrado de Deus e caminhavas entre pedras resplandecentes. Ezequiel 28:14

Você ler o Velho Testamento cuidadosamente, notará muitas referências ao monte sagrado de Deus. Os profetas sabiam que a batalha entre os deuses caídos rebeldes e o Criador era inteiramente sobre quem iria estabelecer seu monte sagrado, o “monte da assembleia” ou “monte da congregação”, como supremo. A referência mais óbvia está em Isaías 14, uma parte das escrituras que os estudiosos geralmente concordam que seja um paralelo a Ezequiel 28:

Como foi que caíste dos céus, ó estrela da manhã, filho d’alva, da alvorada? Como foste atirado à terra, tu que derrubavas todas as nações? Afinal, tu costumavas declarar em teu coração: “Hei de subir até aos céus; erguerei o meu trono acima das estrelas de Deus; eu me estabelecerei na montanha da Assembleia, no ponto mais elevado de Zafon, o alto do norte, o monte santo. Subirei mais alto que as mais altas nuvens; tornar-me-ei semelhante ao Altíssimo!” Contudo, às profundezas do Sheol, da morte, foste precipitado; lançado foste no fundo do abismo! Isaías 14:12-15

Ao longo do curso dessas 5 semanas dessa série especial, nos aprofundaremos dentro do conflito entre Deus e os rebeldes e iremos explorar a importância desses montes, montanhas cósmicas. Identificaremos batalhas chave na longa guerra e proporemos um cenário profético para a batalha final dessa era.

Acima de tido, daremos uma espiada nessa longa batalha celestial, e onde vocês podem encontra-la na Bíblia. É um conflito que os profetas e apóstolos sabiam que era real, mas ao longo dos últimos dois mil anos as nossas igrejas não têm nos ensinado sobre ela. Com essa guerra sendo extirpada de nossa Bíblia, somos deixados com uma história incompleta sobre o plano de como Deus nos salva dos deuses que querem nos matar e destruir tudo o que amamos.

Então comecemos do início. O que sabemos sobre o inimigo? O que é uma serpente que fala?

Em uma só palavra: não.

Então o que era essa serpente? A maioria de nós assume que ela era Satanás, mas talvez não. A serpente não tem um nome no livro de Gênesis. Na verdade, Satanás nem mesmo era um nome pessoal no Velho Testamento.

Satanás significa “o acusador”, e é escrito ha-shaitan no VT. Isso é um título, o satanás, e dessa forma realmente significa “o acusador”. Pense nisso como um tipo de trabalho, função, como uma espécie de advogado de acusação, um procurador.

O adversário no Jardim é o nachash, que é uma palavra traduzia no português como “serpente”. Ela é baseada num adjetivo que significa brilhante ou polida, como um latão brilhante. O substantivo nachash significa serpente, mas também significa “aquele que pratica adivinhação”.

Em hebraico não é incomum para um adjetivo se converter em um substantivo, o termo é “substantivado”. Se esse é o caso aqui, nachash poderia significar “o brilhante”. E isso é consistente com outras descrições da figura de satanás no Velho Testamento.

Por exemplo, em Isaías 14, aquele que é chamado de Lúcifer na tradução do Rei James, é baseado nas palavras latinas escolhidas por Jerônimo (lux + ferous, significando “portador de luz”), e seu nome em hebraico é Helel ben Shachar: “o brilhante, filho da alva”. (O interessante é que Sahar foi uma deidade cananeia, então uma tradução melhor do versículo é “Estrela do Dia, filho da Alva”. E isso nos leva a uma especulação interessante sobre a natureza e a origem de Helel. Seriam Helel e Sahar dois dos deuses caídos? Divaguemos sobre isso).

Agora considerem isso em Daniel 10:

Olhei para cima, e diante de mim estava um homem vestido de linho, com um cinto de outro puríssimo na cintura. Seu corpo brilhava como o berilo e outras pedras preciosas; o rosto, iluminado como o relâmpago. Os olhos, como tochas acessas; os braços e as pernas reluziam como bronze polido, e sua voz soava forte e grave como o barulho das multidões.

Daniel 10:5-6

Obviamente que “o brilhante” é uma descrição muito boa do anjo que batalhou com o príncipe da Pérsia, outro ser sobrenatural, para trazer sua mensagem a Daniel.

Algo em torno de 900 anos antes de Daniel, quando os israelitas começaram a reclamar de sua saída do Egito (vejam Números 21:4-9), Deus enviou saraph nachash (“serpentes flamejantes”), para mordê-los. Saraph é a raiz da palavra serafim, que normalmente significa “os que queimam”. Mas o ponto chave desses versículos em Números 21 é que as palavras hebraicas saraph e nachash são usadas de forma intercambiável. Então, ao invés de “serpentes flamejantes”, a tradução deveria ser lida como “serpentes saraph”.

Deuteronômio 8:15 glorifica Yahweh por levar Israel através “do grande e terrível deserto, com suas serpentes flamejantes”, reforçando o intercâmbio de saraph e nachash.

Agora, se a imagem mental de serpentes flamejantes é muito esquisita, o profeta Isaías se refere por duas vezes à serpentes voadoras (saraph ‘uwph, em Isaías 14:29 e 30:6). E na sua famosa visão da sala do trono, Isaías disse:

…eu vi o Eterno sentado sobre um trono alto e exaltado. A aba do seu manto preenchia todo o templo. Em torno dele posicionavam-se serafins. Cada um deles tinha seis asas: com duas cobriam o rosto, com duas cobriam os pés e com duas voavam.

Isaías 6:1-2

Novamente, a raiz da palavra serafim é saraph, a mesma palavra traduzida como “serpente” em Números e Deuteronômio. Na verdade, exceto pela passagem de Isaías 6 acima, toda menção feita a um serafim no Velho Testamento se refere a seres serpentóides!

A serpente voadora era um símbolo bem conhecido no Oriente Próximo, especialmente no Egito. Ela era bem familiar para os israelitas. O uraeus, uma cobra enrolada numa haste, era um símbolo real de proteção usada pelos Faraós e reis Núbios. A máscara da morte de Tutankhamun é um excelente exemplo; o bastão uraeus é mostrado com seis partes distintas que se parecem muito com asas.

É claro que alguns estudiosos citam isso como uma evidência de que os hebreus entendiam que os serafins eram influenciados pelos, ou emprestados da cosmologia egípcia. Essa é uma mensagem comum dos céticos: de que israel copiou sua religião dos seus vizinhos. Falaremos disso mais tarde.

O raciocínio final é esse: o que Adão e Eva viram no Jardim não era uma cobra falante, mas um nachash, uma entidade radiante, divina, de aparência serpentóide.

Agora, se estiverem prestando atenção, se lembrarão de que o rebelde divino no Éden, o nachash de Gênesis 3, era chamado de querubim guardião em Ezequiel 28. Como mostramos a vocês, nachash e saraph, a forma singular para serafim, são termos intercambiáveis. Mas se o rebelde no Éden era um dos serafins, como ele também poderia ser um querubim?

Boa pergunta. Os querubins são mencionados mais frequentemente no Velho Testamento do que os serafins. Eles são normalmente referenciados nas descrições da sala do trono sobre a Arca do Testemunho ou cravados nas decorações no Templo construído por Salomão. As exceções são os querubins que guardam a entrada para o Éden e os quatro querubins que Ezequiel viu nas famosas “rodas dentro das rodas” da visão no canal de Quebar.

A imagem moderna dos querubins tem sido mudada pelos artistas da Idade Média: bonitinhos, criancinhas rechonchudas com pequenas asas que enchem os espaços vazios nas pinturas religiosas. Nada poderia ser mais distante da verdade bíblica e arqueológica. Os querubins são sujeitos seriamente sinistros com os quais vocês realmente não gostariam de lidar. Para saberem mais sobre eles, leiam o livro de Josh Peck chamado Cherubim Chariots.

Os querubins da arca são normalmente mostrados como um par e anjos facilmente reconhecíveis agachados no topo com suas asas esticadas se tocado no meio da tampa. A Bíblia não nos descreve esses querubins, só nos diz que eles têm asas e rostos. Por que? Aparentemente, todo mundo no Século XV A.C. estava familiarizado com a aparência de um querubim, e eles sabiam quer era certo que apropriado para eles servirem como mantenedores do trono de Yahweh. Vejam, Deus apareceu aos homens acima, “entronado sobre o querubim” (Vejam Números 7:89, 1 Samuel 4:4 2 Samuel 6:2; Salmos 80:1 e 99:1; e Isaías 37:16).

Mas os querubins que Ezequiel viu pareciam ter saído de um pesadelo:

Algo semelhante a quatro seres viventes se deslocavam do meio da nuvem. Tinham aparência humana; 6mas cada um desses seres também tinha quatro faces e quatro asas. 7Suas pernas eram retas; seus pés eram como os de um bezerro e brilhavam como bronze polido. 8Eles tinham mãos humanas debaixo das asas, nos quatro lados; e os rostos e asas dos quatro eram assim: 9As suas asas encostavam umas nas outras. Quando se movimentavam, não se viravam, mas caminhavam sempre para frente. 10Em relação à aparência dos seus rostos, os quatro da frente tinham faces semelhantes às humanas; do lado direito tinham cara de leão; do lado esquerdo suas caras eram semelhantes às de boi; e os que ficavam atrás tinham cara de águia. 11Desta forma eram as suas faces. Suas asas estavam estendidas para cima; cada um deles tinha duas asas que tocavam as de outro; e duas cobriam o corpo de cada um deles. 12Cada um desses seres caminhava exclusivamente para frente. Para onde quer que o Espírito se movia eles também iam, e não se viravam quando se movimentavam. 13Entre esses seres havia algo semelhante a brasas ardentes; eram como verdadeiras tochas flamejantes que se movimentavam de um lado para outro por entre os seres viventes, e do meio das chamas partiam fortes relâmpagos e faíscas. 14E estes seres viventes moviam-se com grande rapidez. Iam e vinham com um raio.

Ezequiel 1:5-14

Mesmo essas criaturas viventes não tendo sido identificados como querubins nesses versículos, eles são especificamente chamados de querubins em Ezequiel 10.

Então como vamos ler isso? Essas criaturas não se parecem em nada como um serafim serpentóide. O que deixa tudo ainda mais confuso é a descrição que Ezequiel dá de outro tipo de ser angelical, os ophanim, as rodas que os caçadores de OVNI amam chamar de discos voadores. Eles parecem estar relacionados de alguma forma com os querubins:

Então fixei o olhar e percebi quatro rodas junto aos querubins, uma roda ao lado de cada querubim; e as rodas reluziam como o berilo. 10E as quatro rodas tinham a mesma aparência, como se uma roda estivesse perfeitamente entrosada na outra. 11Quando elas se moviam, tinham a capacidade de ir em qualquer das quatro direções possíveis, sem a necessidade de se virarem para o lado; mas andavam sempre em frente, para onde a cabeça dos querubins apontava e as dirigia. 12E os corpos, as costas, as mãos, as asas, e as rodas que os quatro querubins possuíam, estavam repletos de olhos por toda parte. 13E ouvi que as rodas eram chamadas de Galgal, Turbilhão ou Giratórias. 14Cada um dos querubins tinha quatro faces: Um rosto se assemelhava ao de um boi, isto é, querubim; o segundo, de um homem, o terceiro de um leão, e o quarto, de uma águia.

Ezequiel 10:9-14

Espere aí, os ophanim tinham o rosto de um querubim e o rosto de um humano? Qual é a diferença? Por que um querubim ao invés de um boi para o quarto rosto? Existe alguma conexão entre o querubim e o boi?

Bem… talvez. A palavra querubim provavelmente veio do Acadiano karibu (o “q” deveria ser um som forte de “k”, embora nós brasileiros não o pronunciemos dessa forma). Ela significa “intercessor” ou “aquele que ora”. Os karibu são normalmente mostrados como búfalos alados com rostos humanos, e grandes estátuas dos karibu foram montadas como guardiões nas entradas dos palácios e dos templos. É como se esse fosse o papel do querubim colocado “ao leste do jardim do Éden… para proteger o caminho até a árvore da vida” (Gênesis 3:24).

Isso é uma especulação mas o rebelde divino no Éden, o querubim ungido guardião, já deve ter protegido a árvore da vida alguma vez.

Os querubins são o padrão ouro para proteger a realeza no antigo Oriente Próximo. Na Assíria, eles eram chamados de Iamassu, e os Acadianos os chamavam de shedu. Eles eram algumas vezes mostrados como leões alados ao invés de boi e eram frequentemente esculpidos nos tronos dos reis.

Então a função dos querubins bíblicos, protegendo a árvore da vida e carregando o trono de Deus, era inteiramente consistente com o que os vizinhos dos israelitas sabiam sobre esses seres. Baseado em achados arqueológicos no Levante (a Síria moderna, Líbano, Jordânia e Israel), os querubins eram provavelmente mais parecidos como uma esfinge alada do que um humanoide com asas.

Em outras palavras, a presença dos querubins na Bíblia não era algo criado pelos profetas hebreus. Os querubins eram conhecidos pelos seus diferentes nomes pelas outras culturas do antigo Oriente Próximo, mas eles tinham um papel parecido em todas elas. Os querubins eram guarda-costas sobrenaturais do trono de Yahweh, e sua imagem fora roubada pelos reis terrenos. Um tanto ousados e, sem dúvida alguma, encorajados pelo seu operador de ações psíquicas, o Inimigo. Lembrem-se: “sereis como deuses”.

As consequências da rebelião no Éden foram imediatas e ásperas:

Então Yahweh Deus determinou à serpente: “Porque fizeste isso, és maldita entre todos os animais domésticos e o és entre todos os animais selvagens! Rastejarás sobre o teu próprio ventre, e comerás do pó da terra todos os dias da tua vida. 15Estabelecerei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o descendente dela; porquanto, este te ferirá a cabeça, e tu lhe picarás o calcanhar”…

Então declarou Yahweh Deus: “Eis que agora o ser humano tornou-se como um de nós, conhecendo o bem e o mal. Não devemos permitir que ele também estenda a sua mão e tome do fruto da árvore da vida e comendo-o possa viver para sempre!” 23Por isso o SENHOR expulsou o ser humano do jardim do Éden e fez que ele lavrasse a terra da qual havia sido formado. 24Deus baniu Adão e Eva e no lado leste do jardim do Éden estabeleceu seus querubins e uma espada flamejante que se movia em todas as direções, evitando assim que alguém tivesse acesso à árvore da vida.

Gênesis 3:14-15, 22-24

Por séculos, cristão bem-intencionados têm apontado Gênesis 3:14 como o momento na história no qual a serpente havia perdido as suas pernas. Esse é um erro marcante porque retira completamente o sobrenatural da história. Deus não amputa as pernas das serpentes Ele estava descrevendo a punição que o nachash sofreria em linguagem figurativa. Até mesmo observadores causais do reino animal sabem que cobras não comem pó.

O que aconteceu foi isso: O nachash desceu do pico do reino sobrenatural, “cheio de conhecimento e perfeito em beleza”, para se tornar o senhor dos mortos.

Que queda! Isaías 14 faz muito mais sentido quando você mantém uma visão sobrenatural em mente:

O inferno desde o profundo se turbou por ti, para te sair ao encontro na tua vinda; despertou por ti os mortos, e todos os chefes da terra, e fez levantar dos seus tronos a todos os reis das nações. Estes todos responderão, e te dirão: Tu também adoeceste como nós, e foste semelhante a nós. Isaías 14:9,10

Lembrem-se bem desses versículos, pois voltaremos a eles nessa série. Esses “mortos” referenciados por Isaías são os Rephaim (da raiz rapha), um grupo misterioso mencionado várias vezes no Velho Testamento. Os Rephaim não eram uma invenção dos hebreus. Eles eram muito bem conhecidos pelos seus vizinhos. Examiná-los-emos com mais detalhes nos artigos posteriores dessa série.

Para Adão e Eva, o banimento afetou os dois e todos os seus descendentes até os dias de hoje. Ao invés de viverem com Deus como membros do Seu conselho, nós humanos temos lutado por milênios tentando dar sentido a um mundo que aparentemente não tem sentido. A memória do nosso breve momento no jardim de Deus tem ecoado através dos Séculos, e ela pode ser a fonte de nossa crença de que as montanhas / montes são, de alguma forma, especiais, reservadas para os deuses.

O principal raciocínio do artigo de hoje é: o Éden era um jardim exuberante e bem regado “no monte santo de Deus”, que era onde Yahweh presidia sobre Seu conselho divino. O conselho incluía os primeiros humanos. Eles andavam e falavam com os sobrenaturais “filhos de Deus” os quais, baseados em pistas através da Bíblia, eram seres lindos e radiantes. E pelo menos alguns deles eram serpentóides em sua aparência.

A longa batalha entre Yahweh e os filhos de Deus que se rebelaram, não era apenas pelo controle do reino espiritual, eram também sobre se a humanidade seria restaurada para o seu lugar de direito no trono dos deuses, em meio ao conselho divino no Monte Santo de Deus.

A SEGUIR: o Éden era no Monte Hermon?!

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