O GRANDE INÍCIO – PARTE 02

O ÉDEN ERA NO MONTE HERMON?

Enquanto os primeiros sumérios estavam aprendendo a plantar sem chuva, coisas interessantes, coisas históricas estavam acontecendo bem longe no Noroeste. O segundo pico na lista cronológica de estratégia espiritual das montanhas santas é o monte Hermon.

O monte Hermon é o maior e o mais majestoso pico no Levante. A 9200 pés Acima do Nível do Mar, ele domina os montes de Golan na fronteira entre Israel e Síria, ancorando sua Fronteira Sul nos Montes do Líbano.  Ele tem sido considerado sagrado pela maioria dos humanos da história.

O Monte Hermon tem sido considerado um lugar sagrado desde o período da antiga Babilônia a aproximadamente dois mil anos antes de Cristo e provavelmente até mesmo antes disso.

Na antiga versão da velha Babilônia do Épico de Gilgamesh, que data do século 18 antes de Cristo, aproximadamente no tempo de Jacó, “ Hermon e Líbano” eram chamados de “os lugares secretos dos Anunnaki”. A versão Nínive do poema escrita aproximadamente 600 anos mais tarde, descreve o monstro morto por Gilgamesh, Humbaba (ou Huwawa), como o guardião da “morada dos deuses”.

Os Anunnaki eram os sete deuses chefes do panteão sumério: Anu, o deus do céu; Enlil, o deus do ar; Enki, o deus da terra; Ninhursag, a deusa mãe das montanhas; Inanna (a babilônica Ishtar), deusa do sexo e da guerra; Sîn, o deus lua; e Utu, o deus sol. Eles são mencionados nos textos encontrados no que chamamos hoje de sudeste do Iraque e datam lá atrás no séxulo 27 antes de Cristo. Então, as versões mais recentes da história de Gilgamesh da Babilônia e Nínive, devem relembrar as tradições mais antigas.

O nome Hermon parece estar baseado na raiz de uma palavra que significa “tabu”, similar à palavras hebraica kherem, ou “devotado à destruição”. A palavra é frequentemente traduzida para o português como “sob a proibição”.

A primeira aparição da palavra na Bíblia está em Êxodo 22:20: “Quem sacrificar a outros deuses, e não unicamente ao SENHOR, deverá ser destruído (kherem)”. Mas esse dever não seria invocado apenas contra os israelitas desobedientes. Alguns habitantes de Canaã também foram declarados kherem por Yahweh, especificamente aqueles que eram conhecidos por serem gigantes, ou pelo menos descendentes dos gigantes.

Isso nos levanta a pergunta: de onde vieram esses gigantes? Um episódio curioso está gravado nos primeiros quatro versículos de Gênesis, no capítulo 6:

Então, quando a humanidade começou a se multiplicar sobre a face da terra e nasceram muitas mulheres, 2os filhos de Deus viram que as filhas dos homens eram atraentes, e escolheram, para si, aquelas que lhes agradaram os olhos. 3Então, declarou o SENHOR: “Por causa da malignidade do ser humano mortal, o Espírito que lhe dei não permanecerá nele para sempre; portanto, ele não viverá além dos cento e vinte anos!” 4Ora, naquela época, e também algum tempo depois, havia nefilins na terra, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens e elas lhes deram filhos. Esses gigantes foram os heróis dos tempos antigos, homens rudes e famosos!

Gênesis 6:1-4

Estudiosos têm debatido o significado do termo “Nephilim” por milênios. A maioria acredita que ele vem da raiz hebraica naphal, que significa “cair” ou “empurrados”, literalmente, “os caídos”.

No entanto, o estudioso da Bíblia e de línguas antigas, o Dr. Michael S. Heiser, autor do excelente livro The Unseen Realm (altamente recomendado e traduzido pelo autor deste site efesios612.com) e do seu novo livro Reversing Hermon (Revertendo Hermon), alega que isso não está certo:

            A forma Nephilim não pode significar “os caídos” (se fosse assim deveria ser soletrada como nephulim). Da mesma forma, Nephilim não significa “aqueles que caíram” ou “aqueles que se perderam” (isso seria nophelim). A única maneira do idioma hebraico chegar em nephilim vindo de naphal pelas regras da morfologia hebraica (formação de palavras) seria presumirmos um substantivo soletrado naphil e então pluralizarmo-lo. Digo “presumindo”, uma vez que esse substantivo não existe no hebraico bíblico, não nos contos de Gênesis 6:4 e Números 13:33, as duas ocorrências de Nephilim! Além de que, em Aramaico, o substantivo naphil(a) existe. Ele significa “gigante”, ficando fácil ver por que o Septuaginta (a antiga tradução grega da Bíblia Hebraica) traduz Nephilim como Gigantes (“gigantes”).

Resumindo, os estudiosos judeus que traduziram o Velho Testamento para o grego 200 anos antes do nascimento de Jesus, claramente entendiam que Nephilim eram gigantes, não apenas homens que se “afastaram” de Deus.

Da mesma maneira, as palavras hebraicas traduzidas como “filhos de Deus” nessa passagem, bene elohim, se referem a seres divinos, e não a homens mortais. Agora, isso não tem sido um consenso entre os estudiosos cristãos desde o Século V, graças ao grande teólogo Agostinho. Ele popularizou a teoria dos “filhos de Sete” para explicar o estranho elemento sobrenatural das passagens acima. Resumindo, a visão Setita é a de que os filhos de Deus eram homens santos, uma linhagem justa de Sete que começou a se casar com as mulheres corruptas da linhagem maligna de Caim.

Francamente, isso desafia a lógica em vários pontos:

  1. Como é que todos os homens da geração de Sete eram bons enquanto todas as mulheres de Caim eram más?
  2. Supostamente temos que acreditar que todos os homens de Caim nunca se casaram com mulheres de Sete?
  3. Por que essas uniões produziriam Nephilim, entendo que são gigantes pelos rabinos e pelos primeiros cristãos?
  4. Por que essas uniões levariam a uma maldade tão grande que Deus teve que extirpar tudo o que andava na terra, exceto Noé, sua família e as criaturas na arca?
  5. Todos os outros usos da palavra bene elohim nas escrituras hebraicas se referem a seres divinos.

Problemas com o entendimento do sobrenatural no texto normalmente estão focados, no caso, se anjos e humanos poderiam ter sucesso em produzir filhos.

Os proponentes da visão Setita frequentemente mostram o ensinamento de Jesus sobre a ressurreição dos mortos:

Na ressurreição, as pessoas não se casam nem são dadas em matrimônio; são, todavia, como os anjos do céu.

Mateus 22:30

As palavras chave são “na ressurreição” e “no céu”. Os vizinhos de Noé eram de carne e sangue, não eram ressurretos, e os anjos que “tiveram com as filhas dos homens” definitivamente não estavam no céu.

Existem muitos exemplos na Bíblia de seres divinos interagindo com humanos de formas físicas, comendo, bebendo e até mesmo se metendo em batalhas na frente da casa de Ló (Gênesis 19:5-11). Por que eles também não poderiam procriar?

E para dar um ponto final nessa visão Setita, temos as referências desse evento no Novo Testamento. Tanto Pedro quando Judas se referem ao único exemplo nas escrituras onde os anjos transgrediram:

4Ora, se Deus não poupou os anjos que pecaram, mas os lançou no inferno, aprisionando-os em cadeias abismais tenebrosas, com o propósito de serem reservados para o Juízo, 5de igual modo, Ele não poupou o mundo antigo quando abateu o Dilúvio sobre aquele povo ímpio, entretanto preservou Noé, proclamador da justiça, e mais sete pessoas. 6Também condenou as cidades de Sodoma e Gomorra, reduzindo-as a cinzas (extinção), tornando-as exemplo do que sucederá aos que vivem praticando o mal.

2 Pedro 2:4-6

E, quanto aos anjos que não guardaram sua autoridade e santidade originais, mas abandonaram seu próprio domicílio, Ele os tem mantido em trevas, presos com correntes eternas para o julgamento do grande Dia. 7De maneira semelhante a estes, Sodoma e Gomorra e as cidades circunvizinhas entregaram-se à imoralidade e a todo tipo de depravação sexual. Estando sob o castigo do fogo eterno, essas cidades nos servem de exemplo.

Judas 6-7

Se existem alguma dúvida sobre o que os anjos fizeram que mereceu punição, Pedro e Judas deixam tudo mais claro, pois especificamente identificam o pecado dos anjos como sendo sexual, ao liga-los aos pecados de Sodoma e Gomorra. Atravessar a barreira das espécies entre anjos e humanos é um tabu, assim como é a barreira entre um humano e um animal.

É significante também que a frase traduzida como “os lançou no inferno” em 2 Pedro 2:4, é a palavra grega tartaroo, um verbo que significa “confinar em baixo no Tártaro”. Essa é a única vez no Novo Testamento que essa palavra é usada, e isso significa que ela merece uma atenção especial. O Tártaro é separado do Hades, um lugar de tortura e tormento ainda mais baixo que o Hades na cosmologia grega. Acredita-se que ele seja tão longe do Hades quanto a terra é do céu. E Pedro, sob inspiração do Espírito Santo, escolheu essa palavra para descrever a punição reservada para os anjos que mantiveram relações sexuais ilícitas com mulheres humanas. Lembrem-se bem de tudo isso, pois voltaremos a esse raciocínio mais tarde.

Os livros extra bíblicos de Enoque e Jubileus expandem ainda mais a história, adicionando detalhes e contextos que não estão na Bíblia. O Monte Hermon foi onde os duzentos Sentinelas, uma classe de seres angelicais mencionados no capítulo 4 do livro de Daniel, desceram e começaram a se relacionar com mulheres humanas. Dessas uniões vieram os Nephilim, os gigantes de Gênesis 6.

Os Sentinelas, de acordo com Enoque, foram liderados por Semjâzâ, que aparentemente ficou preocupado porque deveria tomar para si a culpa do que eles estavam prestes a fazer:

E Semjâzâ, que era o líder deles, disse a eles: ‘Temo que não venham a concordar com isso, e somente eu deva pagar a penalidade por um grande pecado’. E todos eles responderam e disseram: ‘Façamos todos um juramento, e todos nos liguemos por imprecações mútuas para não abandonarmos este plano, mas para fazê-lo’. Então juraram todos entre si e se ligaram por mútua imprecaução nisso. E eles eram ao todo duzentos; os quais desceram nos dias de Jasar no cume do Monte Hermon…

O Livro de Enoque 6:3-6a

A “moeda de troca” oferecida pelos Sentinelas nessa negociação era o conhecimento, assim como acontecera no Éden. Em troca dos prazeres da carne, Semjâzâ e seus seguidores ofereceram feitiçarias e encantamentos, astrologia, a arte de fazer armas, cosméticos, escrita, além de outras coisas; algumas artes humanas podem ter sido desenvolvidas e descobertas ao longo tempo, ao invés de terem caído na sociedade todas de uma só vez.

No entanto, os descendentes gigantes dessas uniões ímpias, os Nephilim, pilharam a Terra e deixaram a humanidade em perigo. Eles consumiam tudo o que os homens tinham. E quando isso não era o bastante, eles começaram a comer as pessoas e uns aos outros. Enoque descreve os gigantes como criaturas de desejo insaciáveis os quais ameaçavam acabar com a linhagem sanguínea do futuro Messias através da violência, e, aparentemente, através da corrupção do genoma humano.

O Livro de Jasar sugere que a transgressão dos Sentinelas e dos Nephilim foi muito além da corrupção da humanidade, pois ela também incluía “a mistura de espécies de animais com outras” (Jasar 4:18).

Só podemos especular sobre o que realmente acontecia. Será que foi daí que as lendas de seres quiméricos como os centauros e os sátiros começaram? Ou eles eram apenas lendas mesmo? Mas nós sabemos que Yahweh mandou um dilúvio que devastou a terra e toda a carne, exceto as oito pessoas e os animais da arca. Os Sentinelas que começaram tudo isso, de acordo com Pedro e Judas, estão acorrentados no Tártaro, e eles ficarão lá até “o julgamento do grande dia”.

Mas o papel do Monte Hermon na história não termina no dilúvio de Noé. Outro grupo de bene elohim caídos resolveu aparecer por aquele monte depois do aparecimento de Babel.

De acordo com o estudioso belga Edward Lipinski, Hermon era conhecido no mundo antigo não apenas como o lugar de habitação secreto dos Anunnaki, ele era o monte da assembleia divina do deus dos semitas do noroeste chamado El, o deus criador do panteão deles. O Monte Hermon é onde El se reunia com seus consortes Asherah e os “setenta filhos de El”.

Lembrem-se deste número. Veremos ele novamente.

El era um nome que veio a ser usado em hebraico como um termo genérico para “deus”: El, Elohim, El Elyon, etc. É possível que o epíteto El Shaddai, que possivelmente signifique “deus da montanha”, fosse aplicado primeiramente a El. Outro deus mesopotâmico, Amurru, era chamado de “Bel Sade”, ou “senhor da montanha”. (O “s” soa como “sh”). Essa foi outra operação psicológica feita pelos Caídos, ao se apropriarem de um nome pelo qual Yahweh iria identificar a Si mesmo para confundirem as coisas. Em Êxodo, Yahweh disse a Moisés que seria pelo nome El Shaddai, normalmente traduzido como “Deus Todo Poderoso” em nossas Bíblias em português, que Ele se apresenta a Si mesmo para Abraão, Isaque e Jacó (Êxodo 6:3). É por isso que Jacó se torna Isra-el, e não Isra-yahu.

É claro que os céticos pegam tudo isso para mostra que judeus e cristãos se confundiram sobre quem eles adoram. Na verdade, é El, afiram eles, e os seguidores de Yahweh são tão inocentes que não perceberam isso nos últimos 3500 anos. O fato é que, no entanto, são os céticos é quem caíram nos jogos mentais do Inimigo, o qual não se preocupa em quem nós acreditemos, desde que não creiamos na verdade.

Mas não se enganem: o El dos Cananeus não é Yahweh de Israel, e Yahweh não é El. No panteão cananeu, El era um chefe. O verdadeiro poder era dito vir de Ba’al, o rei dos deuses. Nos mitos cananeus, existia uma batalha pelo poder entre os deuses para que obtivessem esse título, e El parecia não ter poder e vontade suficientes para vencer. Ele nem mesmo parecia interessado em governar. Se tivermos que escolher uma palavra para descrever El, ela seria um “quase aposentado”.

E esse definitivamente não é o Deus da Bíblia.

Um dos aspectos fascinantes da história de Gilgamesh é que geralmente os arqueólogos o consideram real, um personagem histórico. Em 2003, uma equipe escavando no sítio da antiga Uruk, acreditou ter encontrado a tumba de Gilgamesh perto do antigo curso do Rio Eufrates, mas sua descoberta veio um mês depois dos militares dos EUA invadirem o Iraque em 2003, o que fez parar as escavações.

Estudiosos têm sabido por anos que existem paralelos entre as lendas mesopotâmicas e as narrativas bíblicas dos patriarcas. Enoque é similar a um rei antediluviano chamado Enmeduranki, e Noé é chamado por vários nomes como: Utnapishim (Babilônia), Ziusudra (Sumer) e Atra-Hasis (Akkad), depende de qual cultura escreveu a história. Mas mesmo essas narrativas são parte de uma operação psicológica sobrenatural. Por exemplo: as narrativas da Mesopotâmia mostram Gilgamesh como um grande guerreiro, um herói, dois terços deus e um terço homem. Ele teve aventuras e matou monstros, notavelmente Humbaba, ou Huwawa, o defensor da longínqua floresta de cedros que foi colocado lá pelo deus Enlil para aterrorizar humanos.

Os estudiosos acreditam que Humbaba também poderia ser pronunciado como “huwawa”. O Dr. David Livingston, fundador da Associação para Pesquisa Bíblica, mostra que Huwawa soa bem parecido com Yahweh. Se ele estiver certo, então é possível que tenhamos descoberto outra operação psicológica no Inimigo: a verdadeira missão de Gilgamesh, o Caído e que os mesopotâmicos queriam entender, era a de matar o monstruoso guardião do lar secreto dos deuses, Yahweh.

No nosso primeiro artigo, mostramos como o querubim ungido do Éden, o nachash que incitou Adão e Eva ao pecado, foi expulso do Monte Santo de Deus para se tornar o senhor dos mortos. Mostraremos num artigo futuro dessa série porque Jesus escolheu o Monte Hermon por vários incidentes específicos, eventos estratégicos que tinham como algo a rebelião dos bene elohim. Então, para evitar ficarmos repetitivos, nos privaremos de ficar repetindo algumas informações mais tarde nessa série. Mas compartilharemos isso: as pessoas do mundo antigo sabiam que Basã, o reino de Og na base do Monte Hermon, era uma literal entrada para o submundo.

Considerem isso: seria possível que a má reputação do Monte Hermon e a região de Basã cresceram de um evento histórico: a literal queda do Éden, o monte santo de Deus, pelos rebeldes que foram expulsos por Deus?

Muitos estudiosos têm notado as similaridades entre o Éden e o jardim dos deuses visado por Gilgamesh, o lugar de habitação secreta dos Anunnaki. Se o Hermon era o Éden, isso poderia explicar porque os deuses rebeldes que queriam estabelecer seu próprio monte da assembleia foram até lá, para roubá-lo, desde o início dos tempos.

CONTINUA: VOCÊS ESTÃO PREPARADOS PARA A BATALHA REAL!?

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