MATÉRIA NA REVISTA TIME MOSTRA OS PLANOS DA APPLE PARA AJUDAR O ANTICRISTO A INVADIR O SEU CORPO

COMO A APPLE ESTÁ INVADINDO NOSSOS CORPOS

A gigante do Vale do Silício está redesenhando a linha que separa nossa tecnologia de nós mesmos. Isso pode não ser uma coisa boa.wrist-cover

Com a revelação do Apple Watch (relógio da Apple) nessa terça-feira em Cupertino, Califórnia, a Apple está tentando colocar a tecnologia num lugar onde ela nunca havia sido particularmente bem vinda. Adiantando de modo agressivo essa data, o Apple Watch quer se tornar íntimo de nós de uma maneira para a qual não estamos inteiramente acostumados ou preparados. Ele não é apenas um novo produto, essa é uma tecnologia que tenta colonizar nossos corpos.

O Apple Watch é muito pessoal, “pessoal” e “íntimo”, foram as palavras do CEO da Apple, Tim Cook e seus colegas usaram várias vezes enquanto apresentavam-no para o público pela primeira vez. Isso é o que o relógio fará para mudar as coisas, pois ele faz algo que computadores geralmente não fazem: ele vive no seu corpo. Ele repousa em seu pulso como um daqueles passarinhos azuis que ajudam a Cinderella. Ele é mais próximo do que estamos acostumados na atual tecnologia. Ele entra em sua bolha pessoal. Estamos acostumados a uma tecnologia segura, mas o Apple Watch quer se tornar mais íntimo e se tornar parte de nosso Self.

Isso é novo, e um pouco enervante. Quando as tecnologias são adotadas o mais rápido que tendem a adotar os produtos da Apple, há sempre consequências inesperadas. Quando o iPhone saiu, foi elogiado e idolatrado como uma maravilha de design e engenharia, porque é único, mas ninguém realmente entendeu o que ele seria em nossas vidas. Ninguém previu a forma como iPhones exerceria uma força gravitacional constante em nossa atenção. Eu tenho e-mail? O que está acontecendo no Twitter? Eu poderia sair e jogar Tiny Wings nesta reunião? Quando você está carregando um smartphone, sua atenção nunca é inteiramente exclusiva.

A realidade de viver com um iPhone ou qualquer dispositivo inteligente conectado, é que faz com que a realidade seja apenas um pouco menos real. Você fica tão ligado, até o ponto onde os pensamentos e opiniões de estranhos anônimos distantes começam a se ser mais urgentes do que as de seus entes queridos que estão na mesma sala que você. Você se esquece de como é ficar sozinho e sem distrações. Ironicamente as experiências começam a não se tornar verdadeiras até que você tenha usado o seu telefone para torná-las virtuais, twittando-as ou fazendo upload delas ou colocando-as no Instagram ou no YouTub, e então o mundo já o elogiou por fazê-lo. Smartphones criam necessidades que nunca tivemos antes, e provavelmente é melhor ficarmos sem elas.

A grande coisa sobre o Aplle Watch é que ele está sempre lá, você nem precisa nem tirá-lo da sua mochila de olhar para ele, como você faria com um iPhone. Mas ao contrário de um iPhone você também não pode colocar o Apple Watch longe. Está sempre com você. Durante o evento de imprensa da empresa, o artista Banksy postou um desenho no seu feed do Twitter de um iPhone com raízes crescendo e estrangulando o pulso da mão que o segura. Você pode ver onde ele estava vindo. Esta é uma tecnologia que cria um novo patamar (paradigma). Usar um dispositivo tão poderoso quanto o Apple Watch o fará se sentir ligeiramente pós-humano.

Como seria a humanidade pós-humana? O paradoxo de um dispositivo vestível é que tanto lhe dá o controle como o leva para longe ao mesmo tempo. Considere as aplicações de fitness do relógio. Elas capturam todos os dados que seu corpo gera, seu coração e atividade e assim por diante, reunindo-as e gravando-as e devolvendo a você de uma forma que você possa usá-las. Uma vez que a comunidade de desenvolvimento saiba como aplicá-las, não há como dizer o que mais ele poderia reunir. Isso vai mudar a sua experiência com seu corpo. Um relógio de pulso feito com a idéia central de não saber que horas são parece bizarro; em cinco anos, pode parecer bizarro não saber quantas calorias você comeu hoje, ou qual é a sua freqüência cardíaca de repouso.

Mas essa tecnologia vestível também irá lhe pedir para abrir mão do controle. O seu telefone irá começar a dizer o que você deve e não deve comer e o quanto você deve correr. Ele vai ficar entre você e seu corpo e mediar essa relação. Essa tecnologia vai fazer o seu corpo/self físico visível para o mundo virtual na forma de informações, um corpo digital de impressão indelével, e cuja informação vai se comportar como qualquer outra informação se comporta nos dias de hoje: vai ser copiada e distribuída. Ela irá a lugares que você não espera. As pessoas vão usar essa informação para rastreá-lo e vender coisas para você. Você vai ser comprado e vendido, e imagine se vazar um derramamento de dados comparáveis ​​ao recente vazamento do iCloud, somente com os dados do Apple Watch, ao invés de selfies nuas.

O Apple Watch representa um redesenho do mapa que localiza a tecnologia em um só lugar e os nossos corpos em outra. O limite entre os dois nunca vai ser fácil de se encontrar novamente. Uma vez que você se acostumar em vestir essa tecnologia, a única forma de avançar será para dentro do seu corpo: o próximo produto a ser lançado após o Apple Watch seria logicamente o iMplante. Se a Apple conseguir legitimar os vestíveis como uma categoria, terá estabelecido com êxito o nó fundador em uma rede que poderia se espalhar por todo o corpo, com a Apple definindo os padrões. Então vamos realmente ter que decidir o quanto de controle desejaremos, e o quanto estaremos preparados para desistir.

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