Quanto ao que viste do ferro misturado com barro de lodo, misturar-se-ão com semente humana, mas não se ligarão um ao outro, assim como o ferro não se mistura com o barro. Daniel 2:43

TRANSCENDENCE E A RESTAURAÇÃO DE MEMÓRIA ATIVA DO DARPA

darpa01No filme “Transcendence”, o personagem principal, que é um pesquisador na área de inteligência artificial, faz um upload de seu cérebro para um super-computador antes da morte do seu corpo. Sua consciência sobrevive e sua mente, desimpedida das limitações de seu corpo físico, começa a expandir exponencialmente. Por ser ficção científica, a premissa do filme não é inteiramente impossível. Mesmo o cérebro humano sendo altamente complexo, acessá-lo, decodificá-lo e fazer uma interface com ele já são tentados há muito tempo.

O Departamento de Defesa Avançada e Agência de Projetos de Pesquisas dos EUA, ou DARPA, anunciou seu projeto de “Restauração de Memótia Ativa (RAM)”, cuja intenção é desenvolver uma prótese para o cérebro a fim de retirar e gravar as memórias para as pessoas em condições neurológicas degenerativas como a doença de Alzheimer ou vítimas de traumas crânio encefálicos (TCE).

O artigo da Science Daily “DARPA contrata Lawrence Livermore para desenvolver o primeiro aparelho neural para restaurar a memória” diz o seguinte:

As pesquisas ao redor do entendimento da memória é um processo no qual os neurônios de certas regiões do cérebro processam informação, guardam-na e a retornam. Certos tipos de doenças e ferimentos, incluindo os traumas crânio encefálicos (TCE), doença de Alzheimer e epilepsia, perturbam esse processo e causam perda de memória. O TCE em particular, já afetou 270.000 membros do serviço militar desde 2000.

O objetivo do trabalho do LNLL, dirigido pelo grupo de Tecnologia Neural LNLL e em colaboração com a Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA) e Medtronic, é a de desenvolver um aparelho que utilize a gravação em tempo-real e estimulação fechada contínua do tecido neural para construir pontes no cérebro danificado e restaurar a habilidade do indivíduo para formarem novas memórias e acessar as antigas.

A pesquisa é financiada pelo programa Restaurando a Memória Ativa (RAM) do DARPA.

Em essência, a RAM também permitirá ao humanos expandirem seus cérebros em sistemas não-orgânicos. Mesmo o projeto ter sido criado para restaurar a função da memória dessas deficiências, a mesma prótese poderia também ser utilizada para expandir a capacidade de memória das pessoas com funções cerebrais normais. Mesmo o aparecelho ter a intenção de ser um implante, modernizações futuras poderão incluir aparelhos externos que poderão ser ligados fisicamente ou até mesmo sem fio. As implicações poderão levar a aparelhos e sistemas que poderão permitir as nossas “mentes” a expandirem além dos confinamentos físicos de nossos cérebros biológicos, abrindo portas para grandes oportunidades e igualmente ameaças amedrontadoras.

Ameaças e Oportunidades

darpa02Para os iniciantes, a digitalização de nossa neurologia abre portas para todos os tipos de ameaças e oportunidades vindas da boa ou má utilização de aparelhos digitais, incluindo aqueles conectados à internet. Colaboração, controle, vírus, hacking, vigilância, progresso intelectual exponencial, melhorias pessoais e até mesmo drones humanos fazem parte desse contexto.

E enquanto um clímax apocalíptico de uma “guerra com as máquinas” soa como uma ameaça em nossa mente coletiva, o que aconteceria se os aparelhos como esse que o DARPA está desenvolvendo levassem o homem a se misturar com a máquina? Não existiria uma guerra com as máquinas, pois nós seríamos as máquinas.

Nesse contexto, encaramos duas possibilidades futuras: uma como aquela mostrada no filme de ficção científica como o Exterminador do Futuro ou Matrix, onde humanos se escondem entre ruínas de sua uma vez orgulhosa civilização lutando desesperadamente numa resistência  contra máquinas muito superiores que se viraram contra eles, ou um futuro como o mostrado pelo anime japonês e série, Ghost in the Shell. Neste último, os limites são imprecisos entre homem e máquina e um tênue equilíbrio de poder é mantido através da civilização humana, entre extremos da natureza orgânica e cibernética.

Com avanços como os anunciados pelo DARPA, este último cenário é o mais provável. Uma mistura entre o homem e a máquina é o que podemos ter, onde aquele que controlar a tecnologia cibernética irá determinar o quão utópico ou não o nosso futuro será. Atualmente, o DARPA e outros monopólios corporativos-financeiros controlam essa pesquisa e tecnologia, enquanto também já monopolizam outras áreas de progresso científico, incluindo a biologia molecular, engenharia genética e tecnologia de informação. Tanto poder em poucas mãos com certeza é uma chance para o desastre, pelo menos para aqueles sem acesso ou que dizem como a tecnologia será usada, em outras palavras, para a grande maioria de nós.

Um paradigma consumista que tem implantes neurológicos ligados à nossa infraestrutura de tecnologia de informação nos levaria a abusos que poderiam fazer a atual autoridade da NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA) ser uma pálida comparação. Isso também transformaria nossas habilidades militares na mais efetica e mais terrível em ambos combates humanos e de drones.

Ou, em contrapartida, essa tecnologia poderia ser democratizada, aberta e disseminada pela sociedade. As pessoas estariam completamente livres e reponsáveis pelo seu destino, que não mais seria focado na “democracia” ou nos “direitos civis”, mas nos direitos de informação, pois é a tecnologia que forma a fundação sobre a qual a sociedade moderna está sendo construída e controlada. Se quisermos dizer algo sobre essa sociedade tecnológica e moderna, precisamos entender como ela funciona, e a atualmente tal entendimento está em poucas mãos.

Nós não iremos “desinventar” implantes neurológicos que expandam os horizontes nos quais nossas mentes podem ocupar. Podemos tanto escolher abraçar totalmente essa causa e ter controle de tal tecnologia, ou nos acovardarmos e aceitarmos que outros levem essa tecnologia contra nós para cimentar ou aumentar a disparidade entre sua dominação da humanidade, e nossa subserviente futilidade sob seu domínio.

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