A TORRE DO REBANHO

GARY STEARMAN SOBRE A PROFECIA DO NATAL E “A TORRE DO REBANHO”

 

Virtualmente o mundo todo conhece a história do Natal. De uma forma ou de outra, ela já foi contada milhões de vezes. Já foi apresentada nas igrejas, novelas, histórias, filmes, televisão, rádio e teatro, e é uma das narrativas mais icônicas. Desde desenhos animados a super produções, pequenos teatros ou grandes cinemas, miríades de cultos em igrejas, livros e artes visuais, o segundo capítulo de Lucas é conhecido em todo o mundo. Até mesmo aqueles que não acreditam em Jesus conhecem a história. Leias essas palavras mais uma vez, e tome nota dos aspectos históricos, geográficos, políticos e proféticos. Mas nesse processo, não deixe de sentir essa mágica passagem:

 

1 Naqueles dias saiu um decreto da parte de César Augusto, para que todo o mundo fosse recenseado.
2 Este primeiro recenseamento foi feito quando Quirínio era governador da Síria.
3 E todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade.
4 Subiu também José, da Galiléia, da cidade de Nazaré, à cidade de Davi, chamada Belém, porque era da casa e família de Davi,
5 a fim de alistar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida.
6 Enquanto estavam ali, chegou o tempo em que ela havia de dar à luz,
7 e teve a seu filho primogênito; envolveu-o em faixas e o deitou em uma manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem.
8 Ora, havia naquela mesma região pastores que estavam no campo, e guardavam durante as vigílias da noite o seu rebanho.
9 E um anjo do Senhor apareceu-lhes, e a glória do Senhor os cercou de resplendor; pelo que se encheram de grande temor.
10 O anjo, porém, lhes disse: Não temais, porquanto vos trago novas de grande alegria que o será para todo o povo:
11 É que vos nasceu hoje, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor.
12 E isto vos será por sinal: Achareis um menino envolto em faixas, e deitado em uma manjedoura.
13 Então, de repente, apareceu junto ao anjo grande multidão da milícia celestial, louvando a Deus e dizendo:
14 Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens de boa vontade.
15 E logo que os anjos se retiraram deles para o céu, diziam os pastores uns aos outros: Vamos já até Belém, e vejamos isso que aconteceu e que o Senhor nos deu a conhecer.
16 Foram, pois, a toda a pressa, e acharam Maria e José, e o menino deitado na manjedoura;
17 e, vendo-o, divulgaram a palavra que acerca do menino lhes fora dita;
18 e todos os que a ouviram se admiravam do que os pastores lhes diziam.

Lucas 2:1-18

 

O que temos aqui é a história de todos os tempos. Ela envolve um jovem casal judeu que, num tempo de difícil situação social e econômica, seguiam os mandatos de um censo emitido pelos líderes do Império Romano. Essa é talvez o conto original de duas cidades: Nazaré e Belém. Aquela, uma vila ao norte de Israel, nos lembra a reclusão de um forte laço familiar experimentado por Jesus enquanto ele crescia. Essa, um lugar foco de numerosos eventos proféticos, conectada com a “linhagem de Davi”.

 

Os pastores perto de Belém são um tanto especiais. Eles cuidam das ovelhas que são destinadas ao sacrifício no Templo. Como veremos, a localização desses pastores é bem perto do lugar onde Cristo nasceu. Ela também marca o local de uma antiga profecia, a grande profecia do Natal.

 

Por que José e Maria fizeram todo esse caminho de sua cidade natal quando ela estava nos últimos meses de gravidez? Porque seu registro foi decretado pelos burocratas do Império Romano. Suas genealogias eram de fora da linhagem de Judá. Os ancestrais de José, a genealogia real de Jesus em Mateus, veio através do próprio Rei Davi. Belém, a cidade de Davi, erra o lugar onde os magistrados de Roma ficavam para receber aqueles que eram da tribo de Judá.

 

Foi Davi quem estabeleceu o Reino que eventualmente iria servir para o nascimento de Cristo, o Leão da tribo de Judá:

 

4 Trinta anos tinha Davi quando começou a reinar, e reinou quarenta anos.
5 Em Hebrom reinou sete anos e seis meses sobre Judá, e em Jerusalém reinou trinta e três anos sobre todo o Israel e Judá.

II Samuel 5:4,5

 

A genealogia de Maria, a genealogia legal de Jesus em Lucas, apresenta Seu direito oficial para governar a Casa de Davi. O mandato de César Augusto foi uma declaração de que todo o Império seria forçado a registrar as localidades designadas, que pouco tinha a ver com taxações, mas com identificação, por isso a palavra recenseado em Lucas 2:1.

 

Em outras palavras, esse censo foi a maneira que César encontrou de garantir que nenhum pretendente de qualquer trono local aparecesse, o que era falado entre os judeus (que estavam se rebelando contra Roma), e viria a clamar por autoridade legal contra Roma. Aos olhos dos romanos, tal ato mereceria execução imediata.

 

Em “A Estrela que Deixou o Mundo Perplexo”, Ernest L. Martin, descreve uma referencia feita por Josefo, o famoso historiador judeu do primeiro século: “A promessa de lealdade mencionada por Josefo é o que trouxe José e Maria a Belém…, então faz sentido de porque Maria deveria acompanhar José. Num censo normal, Maria não precisaria ir com José, nem José precisaria ter viajado tão longe. Alguns suspeitam que, uma vez que ambos José e Maria eram descendentes de Davi, dessa forma eram herdeiros legítimos do trono de Israel (se é que esse trono existiu). Facilmente podemos ver porque Maria, assim como José, eram esperados para assinar a promessa de lealdade a Augusto. Todos os “herdeiros reais” deveriam estar presentes para assinar a promessa de aliança.”

 

Martin certamente aponta que no reconhecimento judeu, até Maria, uma descendente de Davi, tinha o direito da primogenitura e reinado sobre sua descendência. Lucas escreve no versículo 4 a mesma coisa. O jovem casal veio à Cidade de Davi, Belém, para se registrarem como membros da tribo real de Judá.

 

Certamente que a taxação estava na agenda de Roma, mas o controle do Império era sua maior preocupação.

 

Agora vamos nos afastar por um momento da famosa narrativa de Lucas sobre o nascimento de Cristo. Voltemos no tempo para a mais famosa profecia sobre Seu nascimento. Ela chega até nós através de Miquéias, que a escreveu há pelo menos setecentos anos antes do nascimento de Cristo.

 

2 Mas tu, Belém Efrata, posto que pequena para estar entre os milhares de Judá, de ti é que me sairá aquele que há de reinar em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade.

Miquéias 5:2

 

Efrata, uma antiga cidade originalmente localizada nos arredores de Belém, era associada à morte de Raquel e à maravilhosa profecia que acompanharia o seu funeral. Até os dias de hoje, sua tumba é ainda conhecida e honrada nessa região. Um pouco mais tarde, daremos uma olhada nesse importante incidente da antiguidade.

Primeiramente temos que conectar o versículo acima com alguns versículos que o precedem, começando em Miquéias capítulo 4, versículo 1. Falando no mesmo contexto, o profeta Miquéias descortina o distante futuro na profecia de um Reino vindouro. Ele se refere a um período no tempo como “os últimos dias”. Então ele segue assim:

 

6 Naquele dia, diz o Senhor, congregarei a que coxeava, e recolherei a que tinha sido expulsa, e a que eu afligi.
7 E da que coxeava farei um resto, e da que tinha sido arrojada para longe, uma nação poderosa; e o Senhor reinará sobre eles no monte Sião, desde agora e para sempre.
8 E a ti, ó torre do rebanho, outeiro da filha de Sião, a ti virá, sim, a ti virá o primeiro domínio, o reino da filha de Jerusalém.

Miquéias 4:6,8

 

Aqui temos uma profecia que nos descreve um lugar misterioso, e um edifício estranho, uma torre, que é apresentada como a chave para o entendimento do nascimento do Messias. Miquéias escreveu essas palavras no século VIII A.C., muito antes de Israel ser cativa da Babilônia, a qual ele também descreve nos versos seguintes:

 

9 E agora, por que fazes tão grande pranto? Não há em ti rei? pereceu o teu conselheiro, de modo que se apoderaram de ti dores, como da que está de parto,
10 Sofre dores e trabalha, ó filha de Sião, como a que está de parto; porque agora sairás da cidade, e morarás no campo, e virás até Babilônia. Ali, porém serás livrada; ali te remirá o Senhor da mão de teus inimigos.
11 Agora se congregaram muitas nações contra ti, que dizem: Seja ela profanada, e vejam o nossos olhos o seu desejo sobre Sião.
12 Mas, não sabem os pensamentos do Senhor, nem entendem o seu conselho; porque as ajuntou como gavelas para dentro da eira.
13 Levanta-te, e debulha, ó filha de Sião, porque eu farei de ferro o teu chifre, e de bronze as tuas unhas; e esmiuçarás a muitos povos; e dedicarás o seu ganho ao Senhor, e os seus bens ao Senhor de toda a terra.

Miquéias 4:9-13

 

Notem que a profecia de Miquéias vai além da invasão Babilônica, indo até um futuro mais distante, descrevendo Israel sendo reagrupada e completamente estabelecida como um povo invencível contra todos os povos que se ajuntarem contra ela.

 

Logo, descobrimos que a estranha torre sobre o rebanho é a peça central de um antigo drama, a queda e nova ascensão do Reino de Israel. Desde os dias de Jacó, o pai das 12 tribos, até o presente, o desejo de Deus foi traçado como um imenso plano. Ele é centrado em Jesus, a pessoa mais importante de toda a história.

 

Em Gênesis 35, Deus instruiu Jacó a se levantar e pegar toda a sua família até Betel. Chegando lá, ele purificou a si mesmo e erigiu um altar para Deus. Depois disso, Deus apareceu a ele e pronunciou que o seu nome deveria ser mudado de Jacó para Israel:

 

10 E disse-lhe Deus: O teu nome é Jacó; não te chamarás mais Jacó, mas Israel será o teu nome. Chamou-lhe Israel.
11 Disse-lhe mais: Eu sou Deus Todo-Poderoso; frutifica e multiplica-te; uma nação, sim, uma multidão de nações sairá de ti, e reis procederão dos teus lombos;
12 a terra que dei a Abraão e a Isaque, a ti a darei; também à tua descendência depois de ti a darei.

Gênesis 35:10-12

 

Pouco tempo depois disso, eles viajaram ao sul em direção a um lugar que era conhecido desde então como Belém, a palavra hebraica que traduzida é “Casa do Pão”. Essa foi o lugar onde Cristo nasceria 18 séculos mais tarde:

 

16 Depois partiram de Betel; e, faltando ainda um trecho pequeno para chegar a Efrata, Raquel começou a sentir dores de parto, e custou-lhe o dar à luz.
17 Quando ela estava nas dores do parto, disse-lhe a parteira: Não temas, pois ainda terás este filho.
18 Então Raquel, ao sair-lhe a alma (porque morreu), chamou ao filho Benôni; mas seu pai chamou-lhe Benjamim.
19 Assim morreu Raquel, e foi sepultada no caminho de Efrata (esta é Bete-Leém).
20 E Jacó erigiu uma coluna sobre a sua sepultura; esta é a coluna da sepultura de Raquel até o dia de hoje.
21 Então partiu Israel, e armou a sua tenda além de Migdal-Eder.

Gênesis 35:16-21

Incrível! O local mencionado aqui fora marcado para o futuro cumprimento da profecia. Em hebraico, o termo Midgal-Eder é “torre de Eder”. E seu significado literal para este título é “torre do rebanho”. Ele é o local onde Cristo nasceu, como descrito na história do Natal em Lucas.

 

Nesse texto clássico, “A Vida e os Tempos de Jesus o Messias”, Alfred Edersheim escreveu: “Que o Messias deveria nascer em Belém era uma convicção já sedimentada. Igualmente também era a crença de que Ele deveria ser revelado em Midgal-Eder, ‘a torre do rebanho’,. Essa Midgal Eder não era uma torre para rebanhos normais, os quais pastoreavam nos arredores de Belém, mas estava perto da cidade, na estrada para Jerusalém. Uma passagem no Mishnah nos leva à conclusão de que os rebanhos que passavam ali, eram destinados para os sacrifícios do Templo e, de acordo com isso é que os pastores que ali vigiavam não eram pastores ordinários. Eles estavam sob ação Rabínica, devido ao seu necessário isolamento para as ordenanças religiosas, e seu modo de vida, que precisava de observância legal estrita complexa, senão impossível…”

 

Edersheim é rápido em apontar os mistérios da profecia da torre, que apesar de conhecida pelos judeus, não foi entendida por eles: “Logo, a tradição judaica, de alguma maneira compreendia a primeira revelação do Messias de Midgal Eder, onde os pastores vigiavam os rebanhos do Templo durante todo o ano. De sua profunda significância de tal coincidência, não precisamos falar nada”.

 

Devido às ovelhas destinadas ao sacrifício do Templo serem nascidas nesses rebanhos especiais, elas eram inspecionadas para se ter certeza de que eram perfeitas, sem nenhum detalhe, de maneira que fossem elegíveis ao sacrifício pelos sacerdotes do Templo. O Apóstolo Pedro se refere a Cristo precisamente dessa forma:

 

18 sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais,
19 mas com precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha, o sangue de Cristo,
20 o qual, na verdade, foi conhecido ainda antes da fundação do mundo, mas manifesto no fim dos tempos por amor de vós,

I Pedro 1:18-20

 

Algumas fontes declarem que as “faixas” mencionadas em Lucas 2:7 eram as peças de um tecido especial que os pastores do Templo se utilizavam para pegar as ovelhas que acabavam de nascer para sua inspeção. E assim temos a profecia do Natal de um rebanho bem específico, e uma torre bem especial. Com o Senhor, nada acontece por acidente.

 

Mais tarde, quando Jesus começou seu ministério publicamente, ele veio a João Batista, o qual certamente discerniu Seu papel histórico e destino:

 

36 e, olhando para Jesus, que passava, disse: Eis o Cordeiro de Deus!

João 1:36

 

Como é incrível o Evangelho de João. Ele também se refere a Si mesmo como o “pão da vida” (João 6:48). Num preciso momento da linha de tempo da história humana, na Cidade de Davi, o Cordeiro de Deus veio à Casa do Pão na Torre do Rebanho!

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