A REBELIÃO DE SATANÁS

A Rebelião de Satanás

Preparação para a Tribulação

 

Parte 1

 

Rebelião e Queda de Satanás

 

Dr. Robert D. Luginbill

 

      1. Introdução
      2. Pré-História dos Anjos
      3. Condição Original de Satanás
      4. Caráter de Satanás, Pecado e Queda

 

Introdução à Série: Essa série de cinco partes servirá como uma introdução essencial ao estudo bíblico de escatologia (literalmente, “o estudo das últimas coisas”). Ela é apresentada de maneira completa e estratégica, ou seja, ela abordará de uma só vez a rebelião de Satanás e seus anjos contra Deus, a resposta de Deus criando a humanidade, o contínuo contra-ataque de Satanás através da história da humanidade, a resposta de Deus através de Jesus Cristo, a estratégia final de Satanás, as resoluções de Deus sobre todos os problemas acontecidos, e o término definitivo da história humana.

 

      1. Introdução à Parte 1: A Rebelião e Queda de Satanás:

 

      1. Antes de Criar o Universo, Deus Existia: Antes de Satanás, antes dos anjos, antes da criação da humanidade, lá estava Deus. O Deus trino (Pai, Filho e Espírito Santo) sempre existiu independente do homem, anjos, o universo, ou até mesmo o próprio tempo.

 

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. João 1:1-3

 

Esse fato é extremamente importante que guardemos em mente, porque como crentes em Jesus Cristo, temos que nos lembrar que apesar de todo seu terrível poder, Satanás ainda é apenas uma criatura, agindo inteiramente dentro de universo de tempo e espaço criado por Deus, que sendo assim é completamente sujeito à soberania de Deus, Sua vontade e onipotência. Por outro lado, no entanto, nosso Senhor infinito nunca se encontra limitado ou dependente desse ambiente finito de tempo e espaço tão essencial à nossa existência e de todas as Suas criaturas, Satanás e seus anjos caídos também.

 

Deus, que criou todo o universo e tudo o que existe nele, mesmo Ele que é Senhor dos céus e da terra, não habita em templos feitos por nossas mãos, nem mesmo Ele é ministrado pelas mãos dos homens (como se Ele precisasse de alguma coisa de nós) – [o contrário], Ele é o Único que dá a vida e a respiração a tudo o mais para nós. Atos 17: 24-25

 

Em termos de poder relativo, portanto, qualquer conflito entre nosso Senhor infinito, onipotente e Satanás e sua roda de subordinados angelicais não pode nem mesmo ser citada como uma “briga” em qualquer sentido racional e entendimento que se dê a essa palavra. Deus sentiria prazer em aniquilar o demônio e seus seguidores, Ele possui poder para fazer isso num instante sem o menor esforço. O fato de Deus ainda não ter feito isso nos fala muito sobre seu caráter ímpar e com o que nós temos que fazer. Está sendo permitido que Satanás exista, permitido que se rebele contra nosso generoso Senhor que o criou, e sua rebelião está seguindo seu curso sob permissão, precisamente porque Deus nos ama muito. Pois o amor supremo que Deus Pai tem por nós foi demonstrado no sacrifício em nossa causa de Seu único Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, por também ser entendido como Sua determinação para nos deixar, deixar todas as Suas criaturas escolher se queremos ou não seguí-Lo por nosso próprio libre arbítrio. Embora Deus ame todas as suas criaturas com um amor perfeito, Ele não força ninguém a amá-Lo de volta. Quando a história finalmente chegar a um fim, as únicas criaturas, homens e anjos, que estarão com Ele para sempre serão aqueles os quais escolheram isso.

 

Em sua expressão mais simples, a história das criaturas (anjos e homens) é a chance para cada um de nós demonstrar conclusivamente se estamos com Deus ou contra Ele, se desejamos aceitar e corresponder ao Seu incrível amor (e passarmos a eternidade com Ele), ou ao invés disso rejeitar Seu amor (e passar a eternidade separado Dele). Para nós no mundo de hoje, essa escolha é feita de maneira simples como decisão de nos tornarmos seguidores de Jesus Crito através da fé, ou ai invés disso rejeitando ao indescritível presente de Seu Filho o qual morreu em nossa causa. Os anjos, no entanto, já fizeram suas escolhas, e essa é a medida da genialidade de nosso Senhor que fez dessa rebelião feita por Sua arqui-criatura Satanás, que…

 

  1. Ele valida nossa escolha por Ele (apesar da oposição satânica, nos ainda O escolhemos, de maneira que essa escolha seja genuína),
  2. Ele demonstra Seu amor por nós (a sedução que Satanás fez a Adão nos trouxe todos ao pecado e então necessitamos de sacrifício de Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, num ato que é a próprio incorporação do Seu amor),
  3. Ele promove Sua própria glória no processo (permitindo a rebelião de Satanás seguir seu curso só serve para validar a condenação de Deus ao demônio).

 

E o Senhor me livrará de toda a má obra, e guardar-me-á para o seu reino celestial; a quem seja glória para todo o sempre. Amém. (2Tim 4:18). Só nos permitindo experimentar Sua graça no meio do mundo do diabo, Deus nos traz o completo entendimento e apreciação do Seu amor por nós, enquanto ao mesmo tempo nós leva ao um completo e genuíno amor por Ele. Obrigado a Deus por Seu inefável e inatingível sabedoria!

 

  1. Deus Criando o Universo: Embora Ele não estivesse sob nenhuma obrigação ou necessidade em fazê-lo, Deus de fato criou o universo no qual pertencemos. Antes do tempo, num instante de tempo, Ele criou o tempo e o espaço e toda a matéria do nada. Ele o fez para nos prover com um ambiente temporal e material no qual nós, suas criaturas, precisamos existir. Esse é, portanto, o presente propósito do mundo atual e sua criação: de dar para nós e Seus anjos uma casa e habitação para que exercitemos nosso libre arbítrio. Deus é espiritual e infinito, e não necessita da existência do universo finito. Mas Ele fez todas as coisas – para nós, para nosso benefício, para que viéssemos a procurá-Lo, conhecê-Lo, esolher seguí-Lo, e amá-Lo, por Ele primeiro nos amou (Atos 17:26-27; 1João 4:19). Assim como nós seres humanos desejamos compartilhar nossas vidas e nosso amor e então trazer crianças ao mundo, da mesma maneira nosso Pai Celestial preparou os céus e a terra para nós, Seus filhos, para nosso benefício – e para Sua glória. Não somos brinquedos, animais ou autômatos – somos Seus herdeiros (Atos 17:28). O fato Dele ter enviado Seu único Filho para compartilhar carne e sangue como fazemos, para que Ele pudesse morrer em nosso lugar, e para que tivéssemos vida eterna é evidência incontroversa de que nós, como Sua criação e de tudo o que vemos, longe de ser um acidente, flui sim diretamente de uma sabedoria incomparável, propósito e amor de nosso Deus e Pai.

 

  1. Deus e a Criação dos Anjos: Mesmo os Cristãos de hoje sendo constantemente bombardeados por falsa informação sobre os anjos através de nossa cultura popular, será de grande ajuda por um momento considerarmos a perspectiva bíblica. De maneira geral, anjos não são particularmente proeminentes na Bíblia. Menção feita a eles nem mesmo sequer aparecem em metade dos livros da Bíblia, e uma pequena reflexão (ou investigação) mostrará que eles são raramente o foco dos eventos e quaisquer narrativas bíblicas. Existe uma razão muito boa para isso. Deus deu a Bíblia para a humanidade como padrão de fé e prática no mundo; ou seja, as escrituras explicam como Deus se comporta conosco, e só superficialmente examina Seu comportamento para com os seres angelicais. Esse ponto é importante, porque não é nenhum segredo que a excessiva fascinação com anjos e suas atividades (especialmente aquelas que vão muito além das informações legitimadas contidas na Bíblia) tem sido e continuam ser um grande bloqueio para crentes e não crentes, desviando sua atenção para longe da sabedoria salvadora de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (sobre quem temos muito o que aprender) e de outros escritos de outras doutrinas para um mundo de fantasia (isto é, desinformação sobre anjos e suas atividades). Tudo isso não apenas para dizer que algum conhecimento sobre o reino dos anjos não é importante ou necessário, mas que a Bíblia chega no assunto dos anjos apenas sobre o “necessário”: ela não diz necessariamente o que nós gostaríamos de saber, mas nos diz o que nós temos que saber para entender Deus e Seu plano para o mundo e para nós. As ações, funções e organização dos anjos, eleitos e caídos, será tratado na parte 4 dessa série, mas será utilizado aqui para delinear alguns princípios básicos discerníveis das escrituras que tem um significado imediato sobre nosso presente estudo:

 

a. Anjos são uma ordem de criaturas a parte da humanidade:

 

Tudo o que existe nos céus e na terra foi criado por Ele (Jesus Cristo), tanto as invisíveis quanto as visíveis – sejam tronos, potestades, governantes ou principados, tudo foi criado por Ele e para Ele. Colossences 1:16

 

Um dos maiores enganos do conhecimento atual e convencional sobre os anjos é noção completamente falsa e perigosa de que anjos são seres humanos que morreram. Nada pode ser tão inverídico quanto isso. As escrituras são claras sobre o fato de que os anjos precedem o homem na criação de Deus (Jó 38:6-7), e que a humanidade fora originalmente criada com menos glória e poder do que a criação angelical. (Salmos 8:4-5).

 

b. Anjos são seres finitos: Apesar de sua óbvia superioridade atual, como seres criados, anjos também são dependentes de tempo e espaço. Embora mais poderosos (2Tessal1:7; 2Ped2:11), móveis (Gen28:12) e sábios (2Sam14:20; Atos7:53) do que a humanidade, eles não são nem oniscientes (Mat24:36), nem onipotentes (Rom8:38), nem onipresentes (Dan10:13). Anjos são também descritos como as “hostes do céu” e também comparados às inumeráveis estrelas (Jó25:3; Salmos103:20-21; Is40:26 e Lucas2:13), mas embora eles sejam um grupo organizado de modo superior e bastante numerosos, devemos entender que são finitos em número, e portanto existem em maior número do que o que imaginamos (Deut33:2; Salmos68:17; Dan7:10; Heb12:22, Apo5:11).

 

Tem sido debatido ao longo de séculos se os anjos são espirituais ou materiais, e a opinião comum é, mais do que se imagina, a de que aceitemos a afirmativa formal como as passagens em Hebreus 1:7 & 14. Logo, anjos, como descritos nas escrituras, não estão sujeitos a mutias das restrições materiais sob as quais estamos inseridos. Aparentemente eles não envelhecem, sentem fome ou se cansam. Ele podem, em determinadas ocasiões, até mesmo entrar em corpos humanos (como nos casos de possessão demoníaca: Lucas 8:26-39), e são em sua maioria completamente invisíveis para nós, mesmo quando eles vêm a trabalho no nosso mundo (ou nos atrapalhando como no caso acima). Esse e outros fatos falam a favor do aspecto imaterial de sua natureza. No entanto, anjos podem em certos momentos aparecer em formas corporais (como no caso no anúncio no nascimento de Cristo: Lucas2:8-15), e também podem afetar o mundo material com grande poder (cosideremos os anjos que controlam os ventos: Apo7-1-3). Esses fatos expostos, tomados em conjunto com sua subordinação ao tempo e espaço discutidos acima, deixam claro o bastante que os anjos, apesar de “espirituais” em substância, não são excluídos de serem vulneráveis a certas restrições materiais e barreiras. Por exemplo: eles podem ficar confinados e estar sujeitos aos julgamentos compulsórios de Deus (como no caso da final posição dos anjos caídos: Mateus25:41).

 

Uma breve consideração do futuro, estamos destinados a receber corpos pós-ressurreição (no mesmo padrão do de nosso Senhor Jesus Cristo) que serão úteis nessa conexão. O homem é criatura espiritual, assim como material (mais sobre isso na parte 3 dessa série), mas enquanto nosso corpo presente possui uma materialidade terrena, foi nos dito (e mostrado pelo exemplo da ressurreição de Cristo) que nosso próximo corpo possuirá uma materialidade celestial. Como disse o apóstolo Paulo: “Semeia-se corpo natural, ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual.” (1Cor15:44). Agora sabemos como exemplificado por Cristo que esse corpo “espiritual” é ainda um corpo em todo sentido da palavra: Jesus ainda era discernível aos Seus discípulos, falava, andava, até mesmo comia com eles; e quando o duvidoso Tomé finalmente O viu, Jesus o ordenou para “cofiar sua mão no Meu lado” – de maneira clara a demonstrar a verdadeira materialidade do novo “corpo espiritual” do nosso Senhor. Corporealidade, possuir um novo corpo, é então a grande marca do ser humano, antes e depois da ressurreição. Tal não é o caso dos anjos no entanto. Em Lucas24:39, nosso Senhor ressuscitou e apareceu aos seus discípulos assustados e afirmou a eles que “um espírito (pneuma – a mesma palavra usada para anjos em Heb1:7 & 14) não possui carne e ossos como veem que tenho.” Essa ausência de uma substância corpórea verdadeira da parte dos anjos é a raiz de muitas diferenças entre nós: nossos espíritos são dispostos, mas nossa carne (agora) é fraca e a maior fonte das tentações que confrontamos, tentações das quais os anjos não possuem (por exemplo: eles não têm necessidade de dinheiro). Da maneira curiosa, no entanto, a grande ausência da experiência sensual que só um verdadeiro corpo pode ter foi aparentemente uma grande contribuição para a queda da graça de muitos dos anjos de Satanás (ver sessão IV abaixo).

 

  1. Anjos são temporariamente superiores à humanidade em muitos aspectos: Tendo estabelecido que os anjos também são criaturas, e que eles não são possuidores de poderes e habilidades infinitas, é importante sabermos, no entanto, que seus poderes e habilidades são consideráveis, especialmente em comparação com os da humanidade. Primeiramente, anjos não estão sujeitos à morte (Lucas20:36), nem tampouco se reproduzem (Marcos12:25), levando-nos à conclusão de que seu número é o mesmo desde sua criação coletiva. Não queremos dizer com isso é claro, que os anjos caídos não possam estar sujeitos a uma separação de Deus para sempre e sofrer punição eterna (um evento que, no caso de seres humanos, é chamado de “segunda morte”: Apo20:14, Mateus25:41). Então enquanto a humanidade está passando por uma sequencial moradia na terra (geração após geração), os seres angelicais têm experimentado uma existência contínua no céu, mesmo antes da criação do Homem. Essa longevidade, combinada com o fato de que eles não estão sujeitos às restrições e necessidades do tempo e espaço incumbidos para com a humanidade, sem dúvida contribuem para seu conhecimento superior e sabedoria. E ainda podemos analisar que, dentro de sua própria essência, a natureza angelical é superior à nossa atual natureza humana terrestre em termos de aparência, intelecto, poder, mobilidade e autoridade (2Ped2:11). Isso tudo, no entanto, não será sempre o caso, porque o nosso Senhor (que é nosso precursor na ressurreição) é superior aos anjos em todos os aspectos, incluindo todos os aspectos da Sua humanidade (Heb1:4 – 2:18), então nós também estamos destinados a compartilhar essa superioridade com Ele em nossa ressurreição (1Cor6:3; Heb2:5).

 

  1. Anjos são similares à humanidade em muitos pontos importantes: Apesar de sua relativa superioridade atual comparados à humanidade, como criaturas amigas de Deus, anjos compartilham alguns importantes atributos conosco. Como nós, eles possuem personalidade e individualidade (como é evidenciado por exemplo em: Jó38:4-7; Lucas15:10; desejo em 1Pedro1:12; e escolha em Judas 6). E como nós, eles são criados para servir e adorar a Deus por Sua glória (Salmos103:20-21; 148:2; Mateus4:11; Heb1:14; Apo4:8). Como no caso dos seres humanos, esse servir e adoração não é compulsória, mas algo que Deus deseja dos seres angelicais de seu próprio livre arbítrio (exatamente como Ele deseja obter nossa aliança com Ele através da fé em Seu Filho, Jesus Cristo). Isso reafirma o que está espalhado por toda escritura de maneira bem clara: enquanto a maioria dos anjos escolheram continuar a seguir e servir seu Criador, alguns O rejeitaram, e  estão destinados a encarar as consequências de suas ações (Mateus25:41). Esse dois grupos de anjos são tradicionalmente referidos como os eleitos e os caídos (baseados em 1Tim5:21 e Is14:12 respectivamente). Sobre os anjos caídos, sabemos especificamente nas referências das passagens (Jó4:18; 2Ped2:4; Judas 6) assim como sua associação com Satanás (cuja queda iremos explorar abaixo) no qual seu status de “caído” não é o resultado de um decisão arbitrária do Criador; mas o resultado direto de sua própria escolha individual em rejeitá-Lo e não obedecer a autoridade de Deus. Essa responsabilidade moral, então, é a similaridade mais importante entre anjos e humanos: a ambos foi dada a existência onde o primeiro problema é escolher entre seguir ou rejeitar a Deus.

 

As diferenças entre as características de nossa escolha e a escolha deles é inteiramente explicável pelas diferenças de nossas respectivas naturezas. Anjos, originalmente existem em um estado sagrado, tomaram suas decisões há muito tempo atrás, antes da criação do Homem. Nós, seres humanos, no entanto, estamos limitados à duração de uma vida (sem mencionar nossas restrições geográficas, intelectuais e físicas). Ainda muito mais significante é o fato de que nós nascemos em pecado, e como resultado temos que escolher nos virar contra o pecado em direção a Deus (através da fé em Jesus Cristo) para que sejamos salvos. Os anjos por outro lado, foram todos criados sagrados, e como resultado dessa circunstância tão diferente, encaram outro tipo de escolha: permanecerem leais ao Senhor do universo, ou escolher se virar contra Deus e se juntar na pecaminosa rebelião de Satanás.

 

A inefável sabedoria de Deus brilha de forma transparente através dessas distintas formas de escolha apresentadas a nós de um jeito e aos nossos amigos criaturas angelicais de outro. Anjos são de uma natureza tal que sua última decisão de serem ou não fiéis a Deus parece ser a soma deles mesmos de um eterno passado ao eterno futuro. Explicando, eles não estão sujeitos às restrições temporais, conhecimento limitado e enganos da carne que produzem em nós a capacidade de “mudar nossas mentes” (o que nos leva ao arrependimento ou apostasia). A grande longevidade, intelecto e habilidade que possuem os anjos aparentemente produzem uma certeza e resolução de tomar decisões que é amplamente inalterada por desenvolvimentos históricos. Como seres humanos, todos nós temos experimentado mudanças de perspectiva que a passagem do tempo pode produzir – um fator de nosso gradual aumento de conhecimento, experiência e, como esperamos, sabedoria. Já os anjos, vastamente superiores em intelecto e conhecimento desde o início da criação, já possuem armazenados milhares de anos de existência – e isso sem experimentar o processo de amadurecimento e envelhecimento. Isso não quer dizer que os anjos são incapazes de aprender ou se surpreender pela revelação do plano de Deus na história da humanidade, mas isso nos indica que a perspectiva deles é mais universal, espiritual e até eterna – que é uma perspectiva que muda pouco do início ao fim dos tempos se levarmos em conta sua natureza única. As decisões tomadas pelos anjos parecem sobrepujar ou “ignorar” o tempo de uma maneira que nós, criaturas temporais, não podemos entender completamente. Portanto os anjos (que já foram criados perfeitos e já confirmaram sua perfeita lealdade ou a perderam ao se rebelarem e cair) parecem já ter tomado sua decisão sobre o Senhor de uma vez por todas. Eles não experimentam “mudanças no coração” da maneira que nós seres humanos algumas vezes passamos, nos voltando para o Senhor (ou, infelizmente, para longe Dele dependendo da ocasião), precisamente devido à natureza deles como sendo diferente da nossa. Então, enquanto essas amadas criaturas de Deus compartilham conosco o fato de que o problema central de sua existência é a escolha de estar a favor ou contra o Senhor, a maneira com a qual já fizeram isso numa passado pré-humano é bem diferente da maneira coma qual devemos fazer na história humana.

 

Na verdade, a ideia de que podemos mudar nosso pensamento (arrependimento), e mais importante, que Deus achou um meio de receber nosso arrependimento e livrar-nos do pecado uma fonte de surpresa e fascinação dos anjos (1Tim5:21; 1Pedro1:10-12). Assim como para nós existe uma dificuldade em entendermos as coisas da perspectiva de tempo dos anjos, os anjos também não conseguem compreender completamente nosso ponto de vista humano, pois eles não são criaturas feitas de espírito e corpo como nós somos. E como poderiam? Eles são criaturas cujo arrependimento é uma impossibilidade existencial (seria um “retrocesso”). No entanto, no caso do Homem, começamos imperfeitos e precisando de ajuda (salvação, providenciada através do sacrifício de Cristo). No processo de “aperfeiçoamento de nossa salvação”, um grande número de reviravoltas acontecem. Estando sujeitos a uma vida finita e temporal, a pressões e tentações que são parte da parcela de estarmos na carne (especialmente em carne corrupta), estarmos sob o fogo da dimensão angelical (será que Adão e Eva teriam pecado sem Satanás?), e estando limitados em nosso conhecimento mesmo nas melhores circunstâncias (especialmente comparados aos anjos), encontramos a nós mesmos em uma posição muito diferente de nossos irmãos anjos – não somos criaturas perfeitas que precisam frear na escolha do caminho errado, mas imperfeitos, já somos criaturas condenadas que necessitamos aceitar o gracioso presente da vida de Jesus Cristo e perseverar em nossa caminhada com Ele a fim de garantirmos nossa vida eterna.

 

Essas diferenças em nossas naturezas, na essência de nossos livre arbítrios, e logo em nossas perspectivas sobre como Deus cuida de nós é crítica para um entendimento propício do tratamento Dele para com os anjos e homens respectivamente. Porque isso explica o testemunho das escrituras de que os anjos estão agora verdadeiramente aprendendo sobre Deus ao observar o descortinar de Seu plano de salvação na terra:

 

  1. Como eles observam a vida de Jesus Cristo:

 

E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Deus se manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória. 1Tim 3:16

 

  1. Como eles testemunham o progresso dos crentes:

 

Conjuro-te diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, e dos anjos eleitos, que sem prevenção guardes estas coisas, nada fazendo por parcialidade. 1Tim 5:21

 

  1. Sobre o desejo deles de saber sobre o plano de salvação de Deus:

 

Da qual salvação inquiriram e trataram diligentemente os profetas que profetizaram da graça que vos foi dada,

Indagando que tempo ou que ocasião de tempo o Espírito de Cristo, que estava neles, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir.

Aos quais foi revelado que, não para si mesmos, mas para nós, eles ministravam estas coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho; para as quais coisas os anjos desejam bem atentar. 1Pedro1:10-12

 

Em outras passagens, é nos dito que os apóstolos foram feitos “um espetáculo para todo o universo, para os anjos assim como para os homens” (1Cor4:9), que “por causa dos anjos” as mulheres poderiam manter um sinal de autoridade em suas cabeças (1Cor11:10), que existe “êxtase no céu” sobre todo aquele pecador que se arrepende (Lucas15:10, isto é, dos anjos; Lucas12:8-9; Apo3:5), mas aqueles que rejeitam a Cristo e adoram o anticristo serão tormentados “na presença do Cordeiro e Seus santos anjos” (Apo14:10). E mais, é muito importante saber que os anjos estão presentes em todos os maiores eventos da vida de Cristo; Seu nascimento (Lucas2:13-14), tentação (Mateus4:11), ressurreição (Lucas24:4), ascenção (Atos 1:10-11), e retorno (2Tessa1:7) – um fato marcante  de interesse da fase mais crucial do plano de Deus.

 

Assim sendo, o interesse dos anjos no comportamento humano transcende por completo seus deveres e ministérios somente em nosso favor (Heb1:7 & 14). Quando eles observam os seres humanos escapando da escravidão do pecado, escolhendo Deus e confiando Nele mesmo vivendo sob tantas oposições, eles “aprendem” algo muito importante sobre Ele: eles vêem Sua justiça, Sua postura, Seu poder e Seu amor na missão, sacrifício e vitória de Jesus Cristo e sua efetiva transmissão para a humanidade crente.

A fidelidade de Deus para conosco através do sacrifício de Seu Filho, Jesus Cristo, enquanto essencial para nossa salvação e subsequente crescimento espiritual, também carrega uma importante “lição” para os anjos. Nós aprendemos sobre a fidelidade de Deus através da experiência na salvação e após ela; os santos anjos, no entanto, nunca precisaram de salvação, nem mesmo nunca sentiram fome ou sede, nunca sentiram-se em perigo ou tiveram medo e a sombra da morte. Devido à sua natureza os eximir das maiores pressões que definem a existência humana, eles não podem aprender sobre a fidelidade de Deus pessoalmente, mas podem apenas fazê-lo por observação do Seu grande amor e misericórdia para conosco na terra enquanto somos bombardeados pelos ataques do diabo. Os anjos existem por Cristo e para Cristo, mas só podem apreciá-lo completamente (e o Pai) através do sacrifício da cruz e o desenrolar do plano de Deus em sua fidelidade perfeita para com os seres humanos os quais escolheram crer.

Assim é a observação dos anjos quanto ao desenvolvimento do plano de salvação de Deus na história humana, tanto estrategicamente (isto é, provendo a salvação através da encarnação de Jesus Cristo, morte, ressurreição, ascenção, espera e retorno) quanto taticamente (isto é, a entrega do meio de salvação e o suporte ao progresso individual dos crentes) é um ingrediente necessário para que Deus destrua as obras do diabo em Sua última restauração da harmonia e da ordem da Sua criação (1João3:8):

  1. Como visto na consumação final de todos os anjos eleitos e o ser humano em Cristo:

Descobrindo-nos o mistério da sua [do Pai] vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo [Jesus Cristo], De tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação [presente]  da plenitude dos tempos (isto é, “nos últimos tempos”; Heb1:2; 1Ped1:10), tanto as que estão nos céus como as que estão na terra. Efésios 1:9-10

  1. Como visto da demonstração final para os anjos através da Igreja de Deus e sua inefável sabedoria no envio de Seu Filho para morrer por nós:

A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios, por meio do evangelho, as riquezas incompreensíveis de Cristo, E demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou por meio de Jesus Cristo; Para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus. Efésios 3:8-10

  1. Como visto na reconciliação final de todos os assuntos celestiais através de Cristo:

Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse, E que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus. Colossences 1:19-20

As três passagens acima explicam (entre outras coisas) o efeito do plano de salvação de Deus nos assuntos angelicais: pela observação do sacrifício de Cristo e o resultante chamado de Deus dos gentios através da formação da Igreja de Jesus Cristo, os anjos aprenderam: 1) A autoridade de Cristo e centralidade no plano de Deus (Efésios 1:9-10); 2) A maravilhosa sabedoria do plano de Deus ao enviar Cristo e reunir a Igreja (Efésios 3:8-10); 3) a consequência final do plano de Deus no restabelecimento da completa harmonia e paz no céu e na terra baseados no sacrifício de Cristo (Col 1:19-20).

O ponto essencial da última passagem acima Colossences 1:19-20, demanda algum comentário. Um elemento dessa “instrução via observação da história humana” para os anjos é, sem dúvida, a completa refutação da afirmação enganosa de Satanás (um auto engano) sobre a inabilidade de Deus para confrontar sua rebelião, usada em primeira instância para enganar seus anjos companheiros e atraí-los para sua causa (veja sessão 4 abaixo), e em segundo lugar para enganar e enredar a humanidade (uma operação que ainda está em progresso: veja parte 4 dessa série). Baseados no que sabemos sobre a queda de Satanás e seu presente modus operandi, não estamos enganados em reconstruir a essência dessa falsa afirmação como segue:

Eu e meus seguidores estaremos livres da retribuição de Deus, pois se Deus nos destruísse ou de outra forma nos punisse eternamente, a plenitude e harmonia que um universo criado por Deus deveria ter para sempre iria se perder, pois…

  1. Deus não pode nos substituir (não haveria plenitude), e
  2. Deus não pode nos reabilitar (não haveria harmonia),
  3. por isso Deus não pode nos punir.

Como é irônico Satanás, que conhecia muito melhor do que nós o infinito poder de Deus, que sempre confiara no caráter de Deus para protegê-lo da ira de Deus! Sem dúvida ele pensou em colocar Deus num dilema insolúvel: devendo tolerar essa quebra na ordem universal e harmonia ou rasgar a unidade e a paz para sempre destruindo Satanás. Satanás contava com que Deus tolerasse o mal ao invés de ter parte num passo irreversível que iria permanentemente estragar Sua criação. Mas Satanás, que deveria ter tido um melhor entendimento do que qualquer um no universo sobre a inefável sabedoria de nosso Deus (o qual planejou o início e o fim de todas as coisas antes do início dos tempos e o qual é também incapaz de ser surpreendido), falhou tomando essa suprema consideração em conta. A presente obra do grande plano de salvação de nosso Pai na pessoa de Cristo é a demonstração desse grande fato para Satanás e seus seguidore:

  1. Substituição: A humanidade eleita, em efeito, é a substituição dos seres angelicais caídos na ordem universal de Deus (Lucas10:17-20; 1Cor6:3; Apo20:4). Apesar de saber da habilidade de Deus em produzir outras criaturas, Satanás parece ter assumido que tal ação poderia se provar fútil, pois, se os fosse dado o requisito do libre arbítrio, essas novas criaturas deveriam reagir similarmente aos anjos. No entanto, seres humanos eleitos (os que escolheram serem salvos) são o perfeito complemento dos anjos eleitos (os que escolheram não pecar) e uma apropriada substituição para os anjos caídos que não escolheram se reconciliar com Deus.
  1. Reabilitação: Além do problema da escolha, existe o problema da oportunidade. Satanás também deve ter pensado que Deus não seria capaz de providenciar meios de expiar o pecado. Com isso não haveria reabilitação (ou salvação) possível para os anjos. Mas o plano de salvação do Pai para a humanidade através do sangue de Jesus Cristo – Deus se tornando Homem – foi um evento que o diabo nunca antecipou. Através de analogia da humanidade, os anjos estão vendo em primeira mão que se quaisquer anjo caído tivesse se arrependido (uma ação contrária à sua natureza como vimos), Deus poderia ter providenciado meios de restaurá-los por Ele mesmo, como Ele fez pela humanidade em pecado pelo preço mais alto: o sacrifício do Seu único filho em nosso favor.
  1. A Conclusão de Satanás: A falsa suposição de que Deus seria incapaz de restaurar a harmonia e plenitude de Sua criação foi então refutada pela Sua criação e salvação da humanidade eleita. Ao fazer e salvar o Homem através de Cristo, nosso Pai combateu, em efeito, ambas as proposições supostas por Satanás de que Deus seria incapaz de puni-lo e a sua rebelião. A reconciliação dos seres humanos com Deus através do tempo, paga historicamente por Jesus Cristo, e pegando o momento que está se desenhando perto do fim das coisas, claramente expõe a mentira da assertiva de Satanás. “Aos quais foi revelado que, não para si mesmos, mas para nós, eles ministravam estas coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho; para as quais coisas os anjos desejam bem atentar”. 1Pedro1:12.

Essa discussão sobre o pensamento original de Satanás (sobre o qual falaremos mais na sessão 4 abaixo) nos ajuda a explicar a obstinada oposição de Satanás ao inexorável plano de Deus, pois ela tem atacado as vidas do homens desde nossos primeiros parentes quando foram expulsos do jardim. Pela nossa libertação dada por Deus através de Cristo e Sua promessa de vida eterna em Cristo, demonstra claramente para todos os seres angelicais que Ele pode e Ele irá e Ele está substituindo Satanás e seus seguidores, a fim de que haja punição eterna pela sua ambiciosa rebelião contra Aquele que os fez. Por isso está dito em 1João 3:8: Cristo apareceu para “destruir as obras do diabo”. Satanás certamente fez mal julgamento da sabedoria e habilidade de Deus relativo a ambos anjos e homens, falhando em entender plenamente que a grande obra final do Seu amor, justiça e verdade resultaria inevitavelmente em redenção e substituição, justificação ou rejeição, e reconciliação ou punição (a qual transpareceu para a humanidade através do sacrifício de Jesus Cristo:

A bondade de Deus flui através do amor, provendo graça para o Homem em pecado:

embora o mal diga que um Deus de amor não pode condenar,

ele condenou Seu Filho para que nós pudéssemos viver,

nos redimindo no amor com o sangue de Cristo.

A santidade de Deus flui na justiça, oferecendo misericórdia ao Homem em pecado:

embora o mal diga que um Deus de integridade não possa nos restaurar,

Ele trouxe paz entre nós através de Seu Filho,

reconciliando-nos com Ele mesmo e nos garantindo vida eterna no poder do sangue de Cristo.

e. Uma perspectiva balanceada sobre os anjos: Quando discutimos o tópico sobre os anjos, suas similaridades e diferenças para conosco, é importante que tenhamos em mente tanto sua superioridade atual quanto sua eventual subordinação. Anjos não devem ser desrespeitados (Lucas 10:20; 1Ped2:10-12; Judas8-10; Rom13:7), mas também não devem ser adorados (Apo19:10; 22-9; 2Reis17:16; Jer19:13; Col2:18). Essa quantidade de ressalvas é especialmente importante no que tange aos anjos caídos. Por possuírem os atributos e história discutidos acima, Satanás e seus anjos são adversários formidáveis; e ainda mais, devemos manter em nossa mente que não são só eles que são anjos: Deus contrabalança seus esforços malignos com o trabalho e ministério de Seus anjos santos e eleitos. No entanto, embora devamos ter um repeito saudável pelo Adversário e seu poder de se opor a nós (2Cor2:11; Efésios6:11; 1Ped5:8), não devemos ficar desesperadamente aterrorizados por ele e seus comparsas. E enquanto temos nossas preocupações e apreciação pela função positiva dos anjos eleitos em nosso favor, não devemos nos manter fixados neles (especialmente porque suas personalidades e seu trabalho são invisíveis a nós). De maneira nenhuma devemos “ir além do que está escrito” na Bíblia sobre os anjos, seja o medo excessivo da influência Satânica ou uma exorbitante fascinação com o ministério dos santos anjos. Logo, é Deus que devemos temer, Deus que devemos amar e seguir, é Deus nosso Pai em Seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor a quem devemos fixar nosso olhar enquanto estivermos aqui no mundo de diabo.

Mas, não vos alegreis porque se vos sujeitem os espíritos; alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus. Lucas 10:20

 

  1. Pré-História dos Anjos:

No início, Deus criou os céus e a terra. Gênesis 1:1a

  1. A Criação dos Anjos: Em algum tempo desconhecido seguindo Sua criação dos céus e da terra, Deus criou os anjos (Salmos 148:2-5; Col1:16). Ou seja, em algum ponto específico entre a criação original de Gênesis 1:l e a restauração da terra descrita em Jó 38:4-7 (veja sessão 5 abaixo) que seguiu-se o julgamento de Satanás, Deus criou todos os seres angelicais. Ele os criou santos (Deut 33:2; Salmos 89:7; Marcos 8:38; Lucas 9:26), dando a cada um deles funções distintas e domínios definidos nos quais exercitassem suas autoridades delegadas (Col1:16; Efésios6:12; Heb1:7 & 14; Judas 6).
  2. O Reino dos Anjos: Assumimos que o reino dos anjos é o céu, e até certo ponto isso é verdade, pelo mesmo até os tempos atuais: a) são comumente chamados de “hostes celestiais” (1Reis 22:19; Salmos103:20-21; 148:2; Lucas2:13); b) anjos aparecem invariavelmente em cenas nos céus (1Reis22:19; Jó1:6-7: 2:1-2; Lucas15:7 & 10; Apo5:11); c) e os anjos são também identificados com as estrelas dos céu (Jó38:7: Is14:12 & 13; 40:26; Apo1:20; 9:1-2). Sabendo-se que em qualquer lugar nas escrituras as estrelas literalmente significam estrelas (Gen1:16b), concluímos que essa designação é uma referência às esferas de autoridade dos anjos (Efésios1:20-21; 3:10; Col1:16). Anjos caídos, por exemplo, são chamados de “estrelas errantes” em Judas 13 (em comparação com os falsos profetas onde a referência é para “negrura das trevas… reservada para sempre” relembrando o lago de fogo de uma escuridão sobrenatural preparado para o diabo e seus anjos; Mateus8:12). Esse termo é o remanescente de sua falha em “manter sua própria habitação”, isto é, escolhendo interferir com a fazeres humanos em favor de Satanás, eles abandonaram seu reino celestial de origem. (Judas 6).
  3. Os Três Céus: O que o céu significa exatamente? Quando falamos dos céus em termos bíblicos, estamos nos referindo às três partes em que se divide o cosmos além da terra: a) a atmosfera terrestre (“o céu”); b) o universo como um todo (isto é, “o espaço”); c) o “terceiro céu”, a morada de Deus (ou simplesmente “céu”, como é comumente chamado).

A palavra hebraica para “céus” é shamayim, um substantivo cuja forma é dual em número (isto é, “dois” de alguma coisa como oposto de uma unidade única, ou múltiplas unidades além de um par). A forma dual da palavra shamayim reflete perfeitamente a realidade das duas partes distintas dos céus (céu e espaço) em um continuum. Algumas vezes nos referimos a eles como o primeiro céu (a atmosfera) e ao segundo céu (o universo além da terra) respectivamente.

No entanto, no verso 14 do Capítulo 1 de Gênesis, o raqiyah, ou firmamento, é agora o lugar do Sol, Lua e Estrelas. Significativamente, a terminologia exata hebraica usada no verso 14 raqiyah-hasshamyim, “firmamento dos céus”. A diferença é substancial, pois sugere que esses shamayim, ou “céus”, são de certa forma diferentes daqueles citados antes. Da nossa perspectiva terrena quando olhamos para o céu de noite (quanto mais ainda em 1400 A.C.), o céu que nos rodeia (isto é, a atmosfera) e os céus acima (isto é, espaço, ou o universo) aparecem como um único continuum. A dualidade da palavra hebraica shamayim reflete perfeitamente a realidade de dois elementos distintos (céu e espaço) em um continuum. Esses são o primeiro céu (a atmosfera) e o segundo céu (o universo além da terra) respectivamente e coletivamente.

O terceiro céu, de outro modo, é a moradia de Deus. Em 2Cor12:2-4, a apóstolo Paulo descreve um homem que foi “arrebatado” para esse “terceiro céu”; no versículo 4, esse local é também chamado de “paraíso”, uma palavra que em termos bíblicos sugere a presença e companhia de Deus (ver abaixo). E terceiro céu também é chamado no Velho Testamento como shamey shamayim “céu dos céus”, um significado hebraico para “o mais alto dos céus” (Deut10:14; Salmos148:4; Efésios4:10). Logo, na Bíblia, todas as três partes ou níveis do céu (o céu, o universo e a moradia de Deus) podem ser chamados de “céu” individualmente e coletivamente sem as variantes dos autores das escrituras necessitarem de quaisquer discernimento dos três, pois esse conceito de divisão em três partes de shamayim foi aparentemente bem entendido nos tempos bíblicos. Anjos são capazes de entrar em todas as três divisões dos céus, mas uma explicação deve ser dada nesse ponto sobre suas razões para poderem fazê-lo.

  1. A Esfera Operacional dos Anjos: Por uma variedade de razões, por exemplo a ocasional associação com as estrelas (veja acima) e sua aparente organização hierárquica (Mateus26:53; Efésios1:20-21; 3:10; Col1:16; 1Tes4:16; Judas 9), conjecturamos que os anjos tem esferas de autoridade e certas tarefas no segundo céu (o universo como um todo), embora as escrituras não mostrem uma exaustiva explicação sobre isso (também em Judas 6). Sabemos mais sobre suas viagens ao primeiro céu e seu ministério a favor de Deus para com a humanidade (no caso dos anjos eleitos), ou suas tentativas de agir sob os desígnios de Satanás contra a humanidade (no caso dos anjos caídos). Esses ministérios (e operações satânicas) serão tratados em mais detalhes na parte 4 dessa série, mas é o bastante dizermos até esse ponto que os anjos estão conduzindo ativamente operações aqui na terra, embora essa não seja sua atual primeira esfera. A visão de Jacó da famosa “escada” a qual revelava uma multidão de anjos subindo e descendo do céu para a terra ilustrando de maneira clara o bastante que os anjos eleitos não ficam estacionados na terra o tempo todo, mas retornam ao céu em certos intervalos (Gen28:12; João1:51). Até mesmo Satanás, descrito em Efésios 2:2 como “o príncipe das potestades do ar”, que quer dizer “o governante cujo reino de autoridade é a atmosfera” (do grego aer, se referindo ao primeiro céu e também descrevendo sua temporária, limitada autoridade sobre a terra), não permanece aqui o tempo todo, mas em ocasiões específicas se reúne com outros anjos na presença de Deus, no terceiro céu (Jó 1:6; 2:1 e 1Reis22:19).

A assembleia e sociedade dos anjos com Deus no terceiro céu é importante e reveladora. Não deveria ser surpreendente que, junto às suas ações aqui na terra e no universo como um todo, os anjos são frequentemente encontrados na presença do Senhor. Pois eles são Seus anjos (Gen28:12; 32:1; Salmos103:20; Mateus26:53) e é lógico que eles de reúnem ondem Ele está (Deut 33:2; 1Reis22:19; Jó1:6; 2:1; Salmos82:1; 89:5 & 7; Mateus18:10) para adorá-Lo, serví-Lo e atendê-Lo (1Reis22:19; Dan7:10; Apo5:11-12). Os anjos (os eleitos, em qualquer hierarquia) sempre tiveram e sempre terão que seguir suas funções, mesmo com o retorno da Trindade à terra no final da história humana (Heb12:22; Apo21:12; Apo21-22). No entanto o que determina o local da assembeia dos anjos não é o particular nível do céu, mas a presença de Deus. E assim como os anjos eleitos sempre se reúnem em Sua presença, então quando essa curta presente e temporária era que chamamos história humana chegar ao seu final, a humanidade crente irá da mesma forma se reunir na presença do Senhor por toda eternidade. Por isso a palavra grega ekklesia (a qual traduzimos como “igreja”) significa “assembleia”. Esse local de reunião no final das coisas será a nova terra e, especificamente a nova Jerusalém (Apo 21-22). O que é mais pertinente ao nosso estudo atual é que o local original da reunião dos anjos como entendemos não era no céu, mas na primitiva e original terra.

  1. Éden: O Lar Original dos Anjos e o Lar Final da Humanidade Eleita: O Éden é mais comumente associado com o jardim em que Deus colocou Adão e Eva. E não é devido ao fato de Adão e Eva estarem ali que ele era o Éden e nem o primeiro ou último “paraíso” (como é óbvio nas passagens em Ezequiel28:13; Lucas16:19-31; 23-43; 2Cor12:4; Apo2:7; 22:2).

a) Etimologia: O significado já nos é conhecido de longa data, “paraíso” e Éden são funcionalmente quase sinônimos. Respectivamente, Éden é o termo do Velho Testamento e paraíso do Novo Testamento para o lugar da aprazível presença do Senhor. Éden (do hebraico eden) significa “prazer” ou “deleite”. De maneira similar, “paraíso” (do grego paradeisos), uma palavra Persa primeiramente utilizada pelo historiador Xenophon, significava originalmente “em presença privativa do rei”, um lugar único de “deleite”. Logo era bem natural se substituir a frase hebraica “o jardim do Éden/deleite” pelo equivalente grego “paraíso”. O que então é tão aprazível no Éden-paraíso? Nada mais nada menos do que a presença de Deus, na qual toda alegria e deleite existem (Salmos21:6; 27:4-6; 84:10)!

b) A Ilustração do Tabernáculo: A construção do tabernáculo de Israel nos ajuda a entender e ilustrar a relação entre o Éden-paraíso e a presença da manifestação de Deus. É importante relembrarmos que a distribuição e divisão do tabernáculo são padrões ou tipos, “uma cópia e sombra das coisas do céu” (Heb8:5). Não teremos tempo para grandes discussões de todo o simbolismo e detalhes da lei aqui, mas um resumo será útil, pois o tabernáculo é em si mesmo uma pintura do atual “Éden”, que é o terceiro céu onde Deus atualmente manifesta sua residência (Lucas23:43).

Não é permitida a entrada no tabernáculo sem antes passar pelo altar (onde acontecem os sacrifícios de sangue representando o trabalho de Cristo em nosso favor de várias maneiras; em certos casos lá é onde se coloca a mão sobre a cabeça da vítima) e o lavabo (onde a lavagem simbólica para a remissão dos pecados com base no sacrifício de Cristo é bem clara; o batismo). A única maneira de se entrar no tabernáculo (céu) é através do sangue (de Cristo) e a limpeza apropriada (perdão através do sacrifício de Cristo). Os rituais comandados pelo alto pastor no Dia da Expiação nos dá uma cena clara da restauração de um caminho para estarmos na presença de Deus, no deleite de Sua companhia no Éden. Ele está atrás do véu que separa o lugar santo do santíssimo, um local visitado apenas uma vez por ano pelo alto pastor numa cena representando a ascenção de Jesus Cristo para o trono do Pai. O sangue do sacrifício representa o trabalho de Cristo, enquanto o “trono da misericórdia” com seus dois querubins dourados representa o trono do Pai (descrito em 1 Crônicas 28:l8 como uma “carruagem”, a forma do trono do Senhor como conhecemos em Ezequiel 1:4-28), e Sua aceitação quanto ao ato de Cristo. Também é significante notarmos que o véu que separa o local santo do santíssimo é repleto de querubins bordados (os protetores da santidade de Deus contra quaisquer cosias profanas), é partido do topo ao chão imediatamente depois da morte de nosso Senhor abrindo caminho para nós entrarmos em comunhão com o Pai (Mateus27:51):

19 Tendo pois, irmãos, ousadia para entrarmos no santíssimo lugar, pelo sangue de Jesus,
20 pelo caminho que ele nos inaugurou, caminho novo e vivo, através do véu, isto é, da sua carne,
21 e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus,
22 cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo o coração purificado da má consciência, e o corpo lavado com água limpa,

Hebreus 10:19-22

Na passagem acima o escritor de Hebreus deixa clara a analogia entre o tabernáculo e a sala do trono no céu. O santíssimo na terra, onde fica o trono da misericórdia junto à arca da aliança, é um tipo ambíguo de trono, pois também é um símbolo da presença do Pai. Até o sacrifício eficaz de Jesus Cristo, Seu Filho, não era permitido ao homem em pecado estar em Sua presença santa, mas agora, todos aqueles que aceitam Jesus Cristo têm acesso a Deus com base no trabalho daquele que “rompeu o véu” sacrificando seu próprio corpo em nosso favor. Antes da morte sacrificial, ressurreição, ascenção e colocação de Jesus Cristo à mão direita do Pai, aqueles que morrem no Senhor não eram levados para o céu, mas para o “seio de Abraão”, a parte agradável do sheol, localizada abaixo da terra (Lc16:19-31, 1Sam2:6, 28:15; 1Reis2:6; Jó11:8; Sl139:8; Is7:11). Pela Sua vitória na cruz, no entanto, Cristo ganhou literalmente “acesso” dentro da presença do Pai, agora então o paraíso pode ser encontrado no terceiro céu (1Pedro3:18-19):

2 Conheço um homem em Cristo que há catorze anos (se no corpo não sei, se fora do corpo não sei; Deus o sabe) foi arrebatado até o terceiro céu.
3 Sim, conheço o tal homem (se no corpo, se fora do corpo, não sei: Deus o sabe),
4 que foi arrebatado ao paraíso, e ouviu palavras inefáveis, as quais não é lícito ao homem referir.

2Cor12:2-4

O tabernáculo, então, é uma pintura do terceiro céu, com a arca e o trono da misericórdia representando o trono do Pai no santíssimo (Apo5:11-12), e com o véu e seus querubins bordados representando a separação entre Deus e humanidade que foi partido em dois pela morte sacrificial de Jesus Cristo.

O local santo, a maior das duas salas no tabernáculo, também representa da comunhão entre a Deus e os crentes santificados no paraíso. Como um novo jardim do Éden, aqueles crentes que para atravessaram para estar com o Senhor saboreiam o inexpressível prazer da comunhão com a Trindade, um evento profetizado pelos três artigos encontrados no local santo. Depois de aceitar o sacrifício de Cristo no altar em nosso favor e depois de sermos limpos de nossos pecados no lavatório pelo Seu ato, entremos no local santo contendo da mesa dourada, o candelabro dourado, e o altar dourado de incenso (dourado representando a divindade). De uma maneira, esses três artigos são remanescentes das provisões abençoadas da árvore de vida conhecida por Adão e Eva no jardim antes da queda: o formato do candelabro lembra a aparência da árvore da vida; o pão da presença na mesa dourada lembra a fruta da árvore; e o incenso do altar dourado lembra a fragrância da árvore. Mas na descrição de Jesus Cristo, a verdadeira “árvore da vida”, é que esses três artigos têm o seu mais profundo significado; no céu, estamos destinados a aproveitar os benefícios da árvore da vida porque o nosso Senhor Jesus Cristo, o Único que morreu na árvore para nos dar acesso à vida eterna representando a árvore da vida:

O Pão: O “pão da presença” na mesa dourada caracteriza Cristo como o Pão da Vida (João6:35: “Eu sou o pão da vida”) sendo oferecido pelo Pai (João3:16).

A Luz: A luz emanada do candelabro dourado caracteriza Crito como a Luz do mundo (João8:12 “Eu sou a luz do mundo”) sendo acesa pelo Espírito Santo.

O Aroma: O incenso que se levanta do altar dourado diretamente após o véu do santíssimo caracteriza Criso em ressurreição ascendendo ao céu (João 11:25 “Eu sou a ressurreição e a vida”) providenciada no Seu sacrifício um fragrante aroma de salvação aceito pelo Pai.

Todos nós abençoados a morrer no Senhor somos privilegiados a entrar e morar no tabernáculo paradisíaco de Deus, onde iremo começar a aproveitar a Sua comunhão mais ainda. Esses três artigos também falam sobre a eterna provisão de Deus para conosco no paraíso que está por vir: 1) o pão fala do sustento físico da vida, vida eterna; 2) a luz fala da iluminação espiritual e verdade, verdade divina; 3) o incenso fala do prazer espiritual, prazer eterno. No tabernáculo do céu, todas as nossas necessidades serão providas, pois estaremos em comunhão com a Trindade por toda eternidade devido ao sacrifício de Jesus e nossa decisão em seguí-Lo nessa vida.

Como é ilustrado pelo tabernáculo, assim é o Éden (ou paraíso) onde Deus está em comunhão com a humanidade santificada. É um lugar de júbilo porque não existe coisa melhor do que estar com Deus e longe do pecado e os problemas do mundo que conhecemos.  Mas apesar dos tribulações e jugos que são inevitáveis para os crentes no mundo do diabo, é importante notarmos que é neste lugar que certamente não é nenhum paraíso, que Deus sempre torna possível para aqueles que procuram andar com Ele assim fazê-lo. Além do mais, nos dias de Israel, Ele habitava entre as congregações dos crentes, e hoje Ele e Seu Filho habitam nos corações daqueles que creem e então recebem Seu Espírito Santo. Nossa comunhão com Deus é agora apenas uma amostra da benção e deleite de um Éden restaurado que está por vir, quando “a morada de Deus” virá “até os homens”. É importante considerarmos de maneira compreensiva todas essas manifestações do Éden-paraíso, para que tenhamos um bom embasamento para nossa discussão sobre a queda original de uma das criaturas de Deus dessa comunhão perfeita, assim chamado Satanás.

  1. 6) Os Sete Édens: Como discutido anteriormente, os termos bíblicos para Éden e paraíso são sinônimos para um perfeito lugar de comunhão com Deus. Essas palavras, no entanto, como veremos mais adiante, têm uma ampla aplicação para além do jardim em que Deus colocou Adão e Eva. Fatores comuns em quaisquer lugares que possuam o nome paraíso (ou Éden) se relacionam com lindas paisagens e sons, trabalho agradável ou adoração, bem estar físico e mental, e o mais importante, a presença e comunhão com o próprio Deus. Existem pelo menos sete paraísos distintos nas escrituras. Todos eles são locais perfeitos estabelecidos por Deus para se comunicar com Suas criaturas, desde a pré-história  angelical até o fim dos tempos.

a) A Terra Perfeita Original: O primeiro Éden é particularmente estranho ao nosso atual estudo, pois era o local original de encontro entre Deus e a angelitude. Fora desse primeiro Éden, a terra em sua primeira e original perfeição (não confundir com a terra restaurada, lar do jardim do Éden de Adão e Eva) de onde Satanás foi expulso. Isso é deixado bem claro em Ezequiel28:13, onde Deus fala de Satanás, “Estiveste no Éden, jardim de Deus”. Esse primeiro paraíso, local do trono de Deus e presença de Deus, era interessantemente não no céu, mas na terra (no “monte da congregação, nas extremidades do norte”: Is14:13, comparado ao Monte Sião: Sl48:2). Tenhamos então esse ponto como importante prova de existência, para podermos considerar o contexto das seguintes referências em Isaías 14:

1) “caídos do céu” em Isaías 14:12 nos remete no futuro aos acontecimentos de Apocalise 12:9 (como em Ezequiel 28:17: “Eu os lancei na terra”); Satanás é expulso de seu paraíso original antes da criação do homem, mas ele não será expulso do céu até um certo período no futuro.

2) “Subirei ao céu” na primeira parte do versículo 13 é melhor traduzido como “reino do céu”,

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4 comentários sobre “A REBELIÃO DE SATANÁS

  1. “Dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço”, teoria de Isaac Newton.

    Conforme o que está escrito: Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais. Efésios 6:12

    Principados, potestades, príncipes das trevas (em outras traduções dominadores), hostes espirituais da maldade (em outras traduções forças espirituais da maldade).

    Se todos eles são considerados anjos caídos, lançados dos céus na terra, eles possuem cada um seu próprio corpo e dentro da nossa dimensão espaço temporal não pode ocupar o lugar que está sendo ocupado por um outro corpo, ou seja entrar dentro deste outro corpo possuindo-o.

    Aqui entra o argumento de que os anjos são feitos de uma matéria corpórea diferente da nossa, mesmo assim está preso dentro da nossa dimensão de espaço tempo.

    1. Isso mesmo. Eles podem inclusive projetar um corpo físico em nossa dimensão e ainda estar na outra. Assim como podemos projetar nossa sombra 2D (bidimensional) em determinada área, mas estarmos “na realidade” no mundo 3D (tridimensional). O problema é que os anjos caídos resolveram se transformar na própria sombra (levando em consideração esse exemplo que dei) mas, tendo conhecimento do mundo espiritual, quiseram manter o conforto de viajar pelo tempo-espaço e para que isso acontecesse eles tiveram que passar tecnologia para o homem e é claro, o fizeram em troca de adoração. Leia mais em O Mistério da Iniquidade aqui no blog.

  2. Sempre tive visões, desde criança. Na minha infância quando diziam que o capeta aparecia em determinado lugar, eu ia até lá para vê-lo. Canse de entrar dentro de redemoinhos de olhos bem abertos e não via nada somente terra, depois a minha mãe enlouquecida para tirar toda aquela terra de mim.

    Até que aos 6 anos, quando eu morava em uma rua aqui da cidade. Havia uma lenda de que o diabo aparecia em uma determinada casa ao entardecer.

    Fui até lá, a casa era abandonada, não havia ninguém e bem no final da tarde lá estava ele, falando comigo: ” “Você queria tanto me ver!”

    Ele apareceu em forma humana, pelo menos parecia ser um humano, não tive medo, jamais tive; queria vê-lo porque não entendia por que todos tinham tanto medo dele.

    Falei para ele: “Você é o diabo!” Saí dali balançando a cabeça continuando sem entender por que tinham medo do ser tão ignóbil.

    Quando saí todos perguntaram se eu o havia visto, eu disse que sim, eles se assustaram com o fato d’eu não estar apavorada e ficaram com medo de mim. Perguntei a eles por que tinham medo do diabo, nenhuma resposta me convencia.

    Ele tentou me apavorar de todas as formas, me perseguia em meus sonhos, se tornando em pesadelos e eu sempre o vencia em todos.

    Até que meus filhos vieram e ele tentou atingi-los. Até hoje não tenho medo dele, não me pergunte por que, eu simplesmente não sei.

    Acredite, quando eu o vi, o vi como pessoa com corpo e voz.

    Não foi um dejavu, sempre tive dejavus, sei bem a diferença.

    O dejavu é uma janela no tempo, por um momento você dá um salto no tempo vai até o futuro, passado ou no presente até um outro lugar ver o que precisa ver.

    Não me pergunte como, tinha muitos quando criança; voltei a ter agora. Está ligado ao sofrimento de alguém. É como se o tempo fosse congelado e um salto fosse dado, observo tudo que vejo e volto. Tempos depois a situação que vi acontece.

    Ele não pode me tocar, já tentou, já usou pessoas. Na minha infância usou um tio meu pedófilo de uma seita daqui do DF, o vale do amanhecer.

    O SENHOR DEUS me deu livramento, mas durante anos este tio usou o corpo astral dele para me perseguir e a voz que eu pensava ser a do diabo falando comigo era a do meu tio. Começou quando eu tinha 10 anos e parou quando eu tinha quase 50, quando o SENHOR DEUS me deu meios para descobrir toda teia tecida por este meu tio, usado pelo diabo para me perseguir através da projeção astral, só da voz, que eu não reconhecia.

    Reconheci as palavras, quase 40 anos depois da tentativa de estupro que este tio tinha tentado contra mim.

    1. Que história espetacular, nunca tinha lido algo assim, e eu creio em tudo que você escreveu…

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